sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

E o Natal será feliz?

Apesar de seu pai não estar mais conosco materialmente, meu sobrinho querido, a manutenção da felicidade e do amor é uma tarefa que deveremos empreender. Andei meio depressivo esses tempos: um tremor insuportável no olho direito, insônia, angústia, vazio... Quando me dei conta, vi que tudo era por causa da "P. do Natal", como seu pai sempre disse, que estava se aproximando...

Aí encarei minha recaída, tomei um bom banho de sal grosso, bati tambor, fiz uma fogueira e me entendi com uns ramos de aroeira. Nem precisei de Prozac!!! E mais forte veio a convicção de que o amor tudo pode. 

Lembrei-me de como Dida via (ou vê) o Natal; da tendência formidável de dessacralizar o momento, de esculhambar o protocolo, de sair anunciando "É vem o menino!" quando tia Nice ia, ritualisticamente, colocar a estátua do Menino Jesus na manjedoura do tradicionalíssímo Presépio familiar; da mania infame dele de revelar todos os amigos ocultos que chegavam ao seu conhecimento; dos presentes inusitados que ele dava...

Lembrei-me de tudo isso e o senti tão presente, tão risonho, tão lindo, tão irreverente, tão pleno que enchia todos os lugares onde estava...

Aí eu ri muito, meu rei, gargalhei gostosamente, como sempre fiz e o senti bem perto, me abraçando e me dizendo "Te amo, Titom!"

Eu dei um tempo com o blog. Além de nunca mais terem me mandado histórias, decidi dar uma parada a fim de que seu pai pudesse alçar vôos mais altos, pois eu sentia que a constância das postagens o estava impedindo de realizá-lo. Agora estou mais inteiro e sei que ele está mais feliz com a partida.

Em memória do meu irmão, seu pai, volto a postar. Façamos um Natal Feliz, por nós e por ele.

domingo, 16 de outubro de 2011

Uma carta para meu irmão

Enzo, meu príncipe, olha que coisa mais linda sua tia Mile escreveu no dia do seu aniversário! Te amo, menino bonito.

                Os espíritos conseguem uma permissão para transmitir mensagens através de médiuns para nós aqui, eu peço humildemente a Deus que faça com que algum Amigo Espiritual transmita essa mensagem para meu irmão, Luiz Daniel que desencarnou no nosso plano no dia 22/05/2011.

Meu irmão,

Hoje é dia 29/9/2011, seu filho esta completando 02 anos de vida, ela está lindo, adora música, esta crescendo, os olhos deles parecem faróis, brilham, lembram muito o seu olhar, só que é bem mais bonito. Ele já é um pequeno grande homem.

Nossos pais estão tentando acostumar-se e aceitar a sua partida. Não está sendo fácil. Quando olhamos para eles parecem que envelheceram alguns anos, mas quero te dizer que eles  voltaram a morar juntos, eles se uniram pelo amor e pela dor. Vou cuidar deles sempre.

Gaia, sua cadela, tem um novo lar, cercado de crianças e com muitos espaços. Ela esta feliz.

Dida, Taís está trabalhando, ela se tornou uma mulher forte, aliás, ela sempre foi, você soube escolher bem a mulher para cuidar de seu filho.

Malu não fala sobre sua partida, ela colou do lado da cama dela sua foto. Acho que ela ainda não acredita que você está aí do outro lado, às vezes, nem eu acredito, mas tenho tentado aceitar e compreender, mas é difícil demais porque a saudade não passa, “véio”, ela aumenta. Tem dias que a vontade de te ver dói tanto que fico pedindo a Deus para sonhar com você.

Eu e Tony, desde que você foi para o andar superior, não conseguimos realizar os nossos encontros, aqueles: só nós três... Vou marcar com ele e vamos nos acomodar embaixo daquela mesma árvore no Solar do Unhão, igual aquele dia que ficamos nós 3. Conversaremos besteiras, daremos risadas, falaremos meio mundo de palavrões lembrando de você.

Tom e Ci estão bem, prosperam em alegria na Khalil.

Beto está bem, viajou para Alemanha, estamos crescendo juntos.

Dani, você conseguiu unir a família, conseguiu fazer dos seus amigos, os nossos amigos, conseguiu fazer muita gente refletir sobre a vida e sobre a morte.

Meu velho, eu sinto uma falta enorme de você. Espero que o “brother” que consiga transmitir essa mensagem aí onde você esta, consiga passar todo carinho, amor, saudade, paz e luz que você precisa.

Sinto falta de ficar na ponta dos pés para poder te abraçar pelo pescoço, sinto falta até do cheiro de cigarro que te acompanhava. Não quero lembrar dos dias que passamos num determinado hospital. Senti muita raiva de todos de lá, principalmente dos responsáveis... Através do estudo do Espiritismo e das diversas mensagens que ouvi no Centro, passei a compreender  (não completamente) que eles foram “a porta” para sua “viagem”. Ainda não consegui perdoá-los completamente, estou tentando acreditar que fizeram o que puderam...   

A vontade que tenho é não parar de escrever, permanecer por horas com essa sensação que você tá parado, mordendo a língua de um lado para outro da boca, rindo, passando a mão na sua barriga, franzindo a testa, coçando a cabeça de um jeito engraçado virando a mão igual a de um macaco, mas daqui a pouco você se dana e não tem mais paciência de ficar ouvindo.

Eu amo você Dida. Penso e oro por você, pelo seu filho e por Taís todos os dias e vou continuar a fazer até a gente poder se encontrar novamente, ai vamos fazer isso juntos.

Iana Jamile Santos de Jesus Guimarães.


quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Um poema para Enzo

Seus olhos são as estrelas mais lindas que já vi
Seu sorriso me faz crer que a vida pode dar certo
Sua presença é doce e suave
Você é o guerreiro da paz e nasceu para vencer

Quando tudo estiver escuro
A chama que arde em seu coração será sua luz
Quando o mundo te disser não
Você será capaz de encontrar seu sim
E eu vou estar contigo, Enzo,
É só me enviar seus sinais

Na tormenta serei seu farol
Na dor, seu bálsamo
Na solidão, seu amigo
No vacilo, seu apoio

A coragem de suas escolhas para mim é um exemplo
A força da sua alma, alento
O poder do seu espírito, inspiração
Ser sangue do seu sangue, o maior presente

Parabéns, Grande Homem!

29/09/2011

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Texto de Paty

Enzo, meu príncipe. Tá chegando o dia de seu aniversário. Dois aninhos, né véio? Olha só que presente lindo sua tia Paty mandou pra você – embora você só vá lê-lo daqui a algum tempo. Te amo, lindo!

Para Enzo:

Conheci Daniel ainda molecote, com uns 6, 7 anos. Naquela época já era uma figurinha, cuja presença não passava despercebida. Lembro dele usando um kimono, voltando de carro, com seu avô Zé, das aulas de karatê. Eu e Toni (então namorados) conversávamos na varanda da casa deles em Nazaré e ele chegava falando pelos cotovelos, embolando a voz, tentando contar que, no final de semana haveria uma competição para mudança de faixa.

Achei seu pai um menino engraçadíssimo! Os anos foram passando, eu saí de Nazaré e meu convívio com Daniel deixou de existir. Quase nove anos nos separam, além disso, minha convivência sempre foi maior com seus tios Toni e Mile.

Em 97, aniversário de Jamile e chá de fraldas de Malu, revi Daniel depois de muito tempo. E aí levei um susto: o garoto gorduchinho crescera, perdera peso e se tornara um belo rapaz, que além de bonito era “tirado a sedutor”. Digo “tirado” porque jamais levaria a sério a paquera de um menino que vi crescer.

Em 1999, Jamile veio morar em nossa casa, em Salvador, e isso acabou reaproximando nossas famílias. As visitas de Toni e Daniel se intensificaram, a presença da pequena Malu também, os feriadões na ilha, os “aprontes” em Nazaré, as farras e bebedeiras estreitaram ainda mais nossos laços.

Daniel, agora chamado de Dida, trazia alegria, tinha sempre uma solução “não muito ética”, que todo mundo adorava. Ele parecia não ter medo, era ousado. Ou então era a irresponsabilidade própria da idade mesmo.

Quando Dida passou no vestibular, tia Marinice e Zé compraram o apartamento deles e entre lágrimas, Jamile nos deixou. Dida ajudou a carregar as muitas malas da irmã naquela tarde e nossos encontros se escassearam. A partir de então nos encontrávamos nas festinhas familiares.

Não pude ir ao casamento de seus pais, mas fui, já com Bento, ao seu chá de fraldas. Dida parecia animadíssimo com a sua chegada e a feijoada estava maravilhosa.

Pequeno Enzo (talvez não tão pequeno quando ler esse texto), a última vez que vi seu pai, ele estava com você nos braços, em frente ao Ponto 10, numa tarde de Semana Santa, em Nazaré. Ele e sua mãe transbordavam de felicidade por terem sido presenteados com sua chegada. Exibiam orgulhosos aquele bebê lindo, de 7 ou 8 meses: você!

Não tenho nenhuma lembrança ruím de Dida, e essa última me deixou a impressão de um homem maduro, amoroso, vivendo para sua família.

Seja feliz, menino Enzo. Seu pai foi um presente para todos nós!

domingo, 4 de setembro de 2011

Dida e a Banda

Príncipe Enzo, esse é mais um dos momentos memoráveis de seu pai: a primeira vez em que ele tocou na banda da escola, num desfile de 7 de setembro.

Ele ensaiou com a dedicação que sempre devotou a tudo pelo que se apaixonou. Empenhava-se nos ensaios, enchia meu saco em casa batendo nas panelas e latas, criando outros toques, pedindo opiniões, quando eu tinha saco, até me pronunciava; quando não, olhava pra ele com cara feia e ele ria aquele riso bonito e me mandava tomar naquele lugar - pessoa espirituosa, não?

Quando a data do desfile se aproximava, porém, seu pai caiu doente. E aí, o bicho pegou, velho. Todos os indícios mostravam que ele tinha condição nenhuma de se apresentar, o cara ficou arrasado, fiquei morto de pena dele, sua avó Marinice tentou de tudo para consolá-lo, mas aí o brother reagiu bonito e disse que tocaria de qualquer jeito.

E assim foi feito. O menino-homem recuperou a força, venceu o que lhe enfraquecia e sob o olhar vigilante de minha mãe, tocou durante todo o desfile, cumpriu bem a missão e fez bonito. Viva Daniel! Sempre.
Dida e os colegas da banda.


quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Texto de Neyana


Enzo, meu anjo, Tia Neyana também foi grande parceira e irmã do seu pai. Eram unha e carne e eu sempre amei essa amizade que os une. Afinal, nem a morte da matéria é capaz de desfazer laços tão fortes.

Dentre os muitos e muitos momentos, acontecimentos, fases de nossas vidas em que compartilhamos juntos, existiu uma história que não poderia deixar de registrar...

Estávamos no primeiro ano lá em Nazaré, e tudo ocorria muito bem. Era meu último ano lá (No próximo ano viria morar em salvador) e estava nos preparativos para minha festa de 15 anos. Até que Daniel começou a apresentar algumas queixas em relação a sua saúde. Logo ele que nunca se queixava de nada... De repente, começou a sentir dores, febre, ficou acamado, mas no final das contas ele dizia que não era nada... Que iria passar... Que estava bem. Até que o quadro piorou, e ele teve que ser levado a Santo Antônio de Jesus, pois a dor piorou tanto que ele estava com dificuldade para andar. Lembro como se fosse hoje...

Ele foi diagnosticado com um problema renal e encaminhado para Salvador, pois se suspeitava de algo mais grave. Fiquei desesperada, não conseguia entender como de um dia para o outro, Daniel não estava bem... Que loucura!!!

Tínhamos aula de Tony, que era nosso professor de Literatura e Inglês, e pedimos para que ele nos liberasse para visitarmos Dida, antes dele vir para Salvador.

Foi muito triste, Dida mal conseguia andar mesmo... Lembro que dei um abraço nele, chorei e ele disse que ia ficar tudo bem. Todos que estavam  lá na hora, ficaram  muito preocupados. Não era normal um adolescente de 16 anos, estar doente...

O caso foi tão preocupante, que os médicos chegaram a pensar em Transplante Renal!!! Mas graças a Deus, não chegou a tanto, e o diagnostico final foi uma Infecção Renal (a tal Nefrite...)

Felizmente, depois de alguns dias ele voltou para Nazaré. Precisou de repouso, medicamentos, até se restabelecer por completo. Ele melhorou, mas ainda sentia dores.

Fiquei muito preocupada com a possibilidade de ele não estar presente na minha festa, eu sabia que ele não estava bem, mais ele dizia que estava... E que estaria presente, pois ele sabia que a presença dele era muito importante para mim.

Até que o dia da festa chegou, e ele foi como prometido. Eu fiquei super feliz, em saber que meu amigo Dida estava bem e presente em um momento tão especial para mim.

Mas na verdade ele não estava... Sentiu dores... Não se divertiu tanto... Mas ele dizia que estava tudo bem... E eu sabia que não estava... Sei que ele só estava lá, para me deixar feliz... E só verdadeiros amigos fazem isto.

Dida podia ter todos os seus defeitos, mas ele sempre foi um cara amigo, companheiro, que estaria ao seu lado para o que você precisasse. E era por todas essas coisas, que quando eu me estressava com ele (aqueles momentos que só Daniel sabia tirar a gente do sério...) passava em 5 minutos... Acho que ninguém sabia dizer um não para aquela cara lavada, com o sorriso dos dentes tortos estampado no rosto...

Daí ele melhorou, voltou à rotina normal da vida.... Mas ele precisava se cuidar para que o problema não voltasse a acontecer...

Mais de 10 anos se passaram, e Dida nós pregou mais uma peça. Pensei que tudo não teria passado de um susto... E que é claro, acabaria tudo bem. Afinal ele é jovem, saudável, cheio de sonhos, iniciando a vida ao lado de Tais e Enzo... Não era à hora dele... Mas foi... E por mais que eu saiba que todos nós temos a nossa hora, é difícil se convencer que naquele momento a hora de Dida chegou.

Tinha tempo que não via Dida... E nunca pensei que a última vez que o viria fosse naquele leito de UTI... Naquela situação... O sentimento que tive e tenho é de saudade... Saudade do tempo em que vivemos juntos, e saudades do que se poderia viver... O tempo, o corre-corre da rotina, ou seja, a vida, as escolhas que cada um de nos fazemos, muitas vezes nos afastam um dos outros... E acho que só nós damos conta disto, nestes momentos...

Dida partiu para um plano melhor, e está muito bem... No mínimo ele deve estar se divertindo com tudo que esta vendo por aqui...

Enzo: Saiba que seu pai é uma pessoa maravilhosa, e que sempre vai te abençoar e te proteger, aonde quer que ele esteja. Ele é sua estrela guia, o seu protetor.  Tenha sempre orgulho dele...

Um grande beijo da amiga Neyana


domingo, 21 de agosto de 2011

Dançando nas Estrelas


Enzo, meu lindo, uma coisa da qual seu pai sempre gostou foi festa. Tenho recordações fantásticas dele, o “Leão da Noite”, o “Rei dos Salões”, o “Pé de Valsa”. Lembro-me dele todo galante entrando nos lugares badalados e atraindo milhões de olhares. Ele, Cigano; Ele, bandoleiro; Ele, belo, sensual e magnético do jeito que só ele sabia ser.

Eu amava vê-lo dançando lambada com sua tia Mile. A forma gostosa com que os dois, na mais doce cumplicidade, evoluíam pelo salão e tomavam conta do espaço. Os passos, as caras e bocas, o gingado dos pescoços e cabeças, as pegadas e principalmente o modo mágico com que ele a jogava de um lado para outro, deitando o corpo dela bem rente ao chão, a ponto dos cabelos dela roçarem o solo, e o mais belo naquilo tudo, é que ela depositava total confiança nele, sabia que podia se entregar, pois seu braço forte não a deixaria cair.

Amava vê-lo dançando com sua avó Marinice. Com ela também ele fazia piruetas – não tão arrojadas como as que fazia com minha irmã – mas sempre que se lançava em movimento ao som de algum ritmo, sabia exatamente o que estava fazendo e encantava a quem quisesse ou não quisesse apreciá-lo.

Lembro-me dele dançando pagode, quebrando até o chão... Vejo-o imitando Silvano Sales... Vejo curtindo a vida intensamente, como se soubesse desde cedo que iria dar o zig em breve...

Teve um dia em que estávamos no aniversário de um grande amigo e começou a tocar “Zuk”. Eu e Dan tomávamos cerveja e eu estava um pouco desanimado. Ele então me encarou e disse:

- Vamo dançar, véi?
- É o quê, Daniel?! – Perguntei surpreso.
- Vamos dançar?
- Lambada?
- Sim.
- Oxe! Com tanta mulher por aí, por que quer dançar comigo, porra? – Questionei rindo.
- Você é meu irmão. Quero dançar com você.

Sorri sacana. Ele também. Levantamo-nos, fomos pro meio da folia e demos um show. Os aplausos ofuscaram a baixa energia dos preconceituosos. Foi lindo!

Hoje meu mano faria anos se estivesse ainda dançando por aqui, mas está dançando nas Estrelas e apesar da falta que sinto dele, é dessa forma que quero homenageá-lo, trazendo lembranças felizes de um cabra que amo demais e permanecerei amando, ainda que habitemos mundos diferentes. Viva Daniel!

Texto de Juliana

Enzo, meu anjo, olha que texto bonito sua tia Juliana fez... Durante os 18 dias de expectativa e agonia que passamos, não houve um sequer, que sua tia Jubão, como gosto carinhosamente de chamá-la, deixou de se fazer presente. Isso é lindo!

Eu relutei muito em escrever esse texto. Talvez por querer que essas lembranças fossem só minhas, um segredo meu e de Dan, uma coisa só nossa para sempre. E demorou para eu entender que, por mais que eu a conte para toda uma comunidade, ela continuará sendo só nossa.

EU não tenho uma história com Daniel. Tenho uma vida inteira! Nos conhecemos na alfabetização! Estudamos juntos sempre! Vi Daniel tirar 10 com uma redação de 30 linhas que só tinha uma frase. Ele era assim: transgressor! Não se importava nem um pouco em inovar com uma redação RIDÍCULA! Ele poderia ter tirado 0! Mas mesmo assim, foi ela que ele entregou. Nossa turma era bastante unida. Éramos muito próximos. Foi com ele que assisti meu primeiro filme pornô. VERDADE! Nos juntávamos, íamos para a casa dele, minha ou de Bele (isso dependia de qual pai estava viajando), alugávamos filmes pornôs em Soninha, comprávamos pipoca e guaraná e assim passávamos a tarde. Rindo aos sons dos uis e ais.

E mesmo quando a vida nos jogou em Salvador, lá estávamos juntos. A faculdade de Dani era pertinho do meu apartamento. Não foram nem uma, nem duas, nem 10 aulas que ele matou lá em casa. Bebíamos um litro de Natasha. Sempre. Com todas as misturas imagináveis. Maracujá, leite condensado, manga, morango. O que mais achássemos! E passávamos a noite tirando fotos engraçadas como essa. Ou deitados do lado de fora do apartamento, com a cabeça na porta do elevador, para ele poder fumar uma carteira inteirinha. Conversávamos sobre tudo. Comigo ele dividiu os problemas familiares e os afetivos também. Dormíamos completamente embriagados pela sala. Eu, ele, Talyta, Bele e Scheila. Dani sofreu quando perdeu Tejo e sofreu um pouquinho mais quando teve que dar João. Dani sofria e amava e ria e xingava.

Não tínhamos mistérios, não tínhamos cerimônia. Foi desta forma, sem cerimônia, que Dani me procurou para dizer que ia ter que se afastar porque estava apaixonado e Tais tinha ciúmes da gente. E eu entendi... Afinal, nem todos poderiam entender nossa amizade limpa. Limpa de qualquer maldade. Mas mesmo assim, apaixonado, ele me cumprimentava da mesma forma: lascava a mão na minha bunda e me chamava com um sonoro GOSTOSA! E aos poucos Tais foi entendendo que nossa relação era da mais pura amizade. E acabou fazendo parte desta amizade e nos adotamos como amigas.

Uma das nossas histórias mais engraçadas aconteceu no apartamento em que ele dividia com Jamile. Malu era pequenininha e Daniel não se esforçava em dar bons exemplos. Esse era um dos motivos deles brigarem tanto. Então, um dia Dani disse:

-A cachaçada hoje será lá em casa.

-Mas Dani, e como é que a gente volta pra casa?

-Porra de casa... A gente vai dormir lá! Todo mundo!

Lá fomos nós. Compramos nossa Natasha habitual, cervejas, salgadinhos e biscoitinhos. A babá de Malu estava de olho na gente. Daniel sabia que, quando Jamile chegasse, ela nos entregaria. Foi aí, como em todas as histórias que ele faz parte, que ele teve a brilhante ideia:

-Vamos embebedar Michele??

-Hã??

-É! Porque ai essa filha da dis... não vai poder nos entregar!

Realmente foi uma boa ideia e assim fizemos! Quando Jamile chegou, estávamos dormindo completamente embriagados na sala e Michele, só Deus sabe onde ela estava! Mas estava bêbada também! Hahahaha.

Foi Dani quem resgatou Neto, Pablo e Jorge completamente embriagados na Mouraria e levou todos eles para dormir na sua casa. Quatro homens bêbados, dormindo praticamente abraçados na sala. Creio que não era realmente um bom exemplo para Malu! Hahahaha.

Não fui ao casamento dele porque foi um mês antes do meu. E eu estava tão nervosa e sensível naquela época! Não podia ir a casamentos que me acabava de chorar! Por isso que preferi não ir para não chorar. Só Deus sabe como me arrependo até hoje.

A gravidez de Tais, seguida da minha, nos uniu da forma que deveria ser. Dani, Tai e Enzo foram me visitar na véspera de Cecília nascer. E eu me senti tão segura, tão amada! Foram eles Também quem primeiro nos visitaram quando tivemos alta do hospital. Sempre carinhosos, sempre maravilhosos. Eu sempre tinha um sentimento gostoso quando avistava Dani surgir no meu horizonte! Foi assim quando eles foram pela primeira vez ao Riviera.

Quando soube que Dani tinha sido internado, doeu profundamente. Nas orações às 18 horas, eu me preocupava em depositar ali toda a minha energia para a cura de Dan. Não, o mundo não poderia perder Daniel. Aqueles 18 dias foram dias de reencontro com Deus. Cada um fez o que pode para entender porque o mundo tinha se desorganizado daquela forma. Porque ele não veria Enzo crescer. Choramos rios inteiros. Rezamos mais do que rezamos em toda a vida. Mas nos intervalinhos, mesmo naquele clima pesado da UTI, ríamos e revivíamos Daniel. Porque Dani nunca foi tristeza. E foi assim também no cortejo. Ríamos e revivíamos Daniel porque era assim que ele era. Era isso que ele queria. Daniel não é, nunca foi, nunca será tristeza.

Por isso, pequeno Enzo, quando for pensar em seu pai, sorria! Sorria! Sorria! Porque era assim que ele era e é assim que ele quer que você seja. Daniel é amor! Daniel é liberdade! Daniel é transgressão. Onde quer que ele esteja, ele está olhando por você. Ele sabia e sabe que cultivou e semeou amizades verdadeiras porque ele era verdadeiro. E foi por isso que ele pôde ir embora. Porque sabe, tem toda certeza, que tem um pedacinho dele em cada um de nós que vai estar cuidando de você.

VIVA DANIEL!

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Texto de Sueli

Enzo, meu amado sobrinho, sua tia Su mandou esse texto para homenagear nosso Dida. Ela também o conheceu demais, conviveu com ele e partilhou comigo um momento sublime: quando estávamos no hospital e a partida dele já era certa, ela me ligou da Espanha. Choramos juntos, nos confortamos e de repente não havia mais um oceano nos separando, pois até amigos dela, que nem conheceram seu pai. estavam juntos em oração conosco. Viaje, meu lindo...

Demorei muito pra escrever esse texto para que pudesse já ter colocado em seus devidos lugares algumas emoções que nos tomaram como surpresa nesse primeiro semestre de 2011.


 Todos estamos muito doloridos, mas também muito agradecidos ao Criador por haver-nos doado seres tão lindos como Luiz Daniel.

Dani, Dida,"Capeta","Peste",ou qualquer outro adjetivo que nos venha à mente quando se trata de pronunciar algo sobre aquela criança impressionantemente insuportável e ao mesmo tempo apaixonante, se torna pequeno,quando se trata de voltar ao tempo e vê-lo crescer como muitos de vocês...

Tive essa sorte! A sorte de ser abençoada com irmãos que não foram de sangue, mas que me escolheram e que a vida me deu a oportunidade de escolher também. Estou falando de Toni e Mile e de toda essa família linda que sempre me acolheu, (nos acolheu) naquela casa cheia de festa e alegria ainda quando o que deveríamos fazer era "estudar" ou algo parecido...Rsrsrs...

O que passa é que no "pack" se incluía o tal do "Dida" e isso rompe qualquer tentativa de sermos as "boas meninas" que deveríamos ser quando ele estava por perto.

São mais de 30 anos ao lado de Mile e isso nos faz deduzir que é toda uma vida vendo como aquele menino crescia rapidamente e cada dia estava mais e mais metido em nossas vidas, em nossas conversas, em nossas reuniões e tantas tentativas fraudulentas (por culpa dele claro!) de realizar qualquer coisa que deveríamos levar adiante.

Daniel veio ao mundo pra isso!Pra romper preconceitos, barreiras e mais qualquer outra coisa, dizer,"Estou aqui!Vocês tão ferrados... Agora eu tô no comando!" Porque ele era assim: um líder em se tratando de amor,um líder em chamar atenção pra o que devia e pra o que não devia também, mas sobretudo um líder em demonstrar-nos o que era a vida.

Rindo, sacaneando, perturbando e nos atentando,lembro de muitas vezes como outro dia estávamos recordando eu e Lília, que chegávamos na porta daquela casa e ele estava lá,estirado na rede que havia,e nós, no portão,do lado de fora claro. e ele, se vocês acham que se movia pra vir abrir a porta...O diálogo era sempre nesse sentido:

- Dani, Mile tá aí???-Éramos as mais doces e ainda assim não adiantava...
- Não - ele respondia com um não rotundo que não nos deixava dúvidas... Ela estava!
E logo surgia Tia Nice reclamando com ele e na intenção de nos salvar de suas malvadezas...
- Deixe de ser mentiroso menino! - E assim nos liberava pra entrar...

Talvez ele pensasse: "Elas não aprendem!"ou tivesse apenas ganhando tempo pra saber o que ou como nos atingiria, mas uma certeza a gente tinha: Quando ele tava em casa, nada do que a gente tinha programado seria possível...

Gincanas, Cantina de Vani, São João, Micaretas, Garagem daquela casa, Tairu, são algumas de muitas recordações que jamais irão se apagar, como também não se apagará a força e a fé que nos uniu especialmente nos dias que antecederam à sua partida...

Eu aqui, do outro lado do Oceano, com 5 horas a mais de fuso, me sentia imbatível, mesmo com tanta fragilidade e tive a certeza naqueles dias que o amor que nos uniu e nos une àquele menino lindo, de olhar verdadeiro e sorriso límpido não foi em vão...

Obrigada Dani! Obrigada por nos ter-nos ensinado tanto e por fazer com que esses momentos de dor e angústia fossem hoje reforçados com a certeza do que você veio fazer aqui. Dar-nos vida e ensinar-nos o que é o desapego, mesmo quando a nossa vontade era outra. Você outra vez nos manipulou! Você outra vez venceu! Ninguém pode com Luiz Daniel!O "Sacaninha" que nos deixou saudades!!!

Amo vocês, eternamente...
A irmãzinha, Su.

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Como forma do meu amor

Enzo, Guerreiro, seu tio Edu fez esse mais do que poema e me enviou para eu postar no blog... Tá lindo... Amo você.

Como forma do meu amor.
Vou enviar-lhe todo dia minha luz.
Vou zelar pela nossa família.
Vou esconder de você o meu choro.

Vou sentir você do meu lado em cada vitória.
Vou mudar o meu jeito de ser, pra melhor.
Vou ser mais culto e mais forte, como você me mandou ser.
Vou acolher os seus amores nas dores.
E vou dar todo meu amor de tio ao filho seu.

Cantarei sempre pra ele "Maria de Nazaré".
Vou eu lhe ensinar a Oração de São Francisco.
Fazer você viver na mente dele.
Direi a ele todas as qualidades suas que eu conheci (metade do total).

Vou acompanhá-lo, respeitando meu espaço e meu lugar de tio.
Vou monitorá-lo na vida, vigiá-lo na doença.
E só AJUDAREI a fazer ele sentir orgulho ao ouvir "Luiz Daniel".
Mas me perdoe, descontarei com todo carinho, as brincadeiras perversas, escrotas e sacanas que me fizestes. Risos

Mas fique tranquilo, porque posso ouvir claramente você gritando:
"Devagar, Desgraça",
"Segura ele, vai cair, véi",
"Véi, tá chorando, véi. Carrega ele", toda vez que eu estiver brincando com Enzo.

Ou até mesmo um repentino: "toma conta dele aí pra mim, 'Edives'".

Nosso senhor, Jesus! ...

Agora vou parar...
Não consigo mais escrever. :'(

...

Enfim,

continuarei a ser o seu fiel escudeiro
Seu amigo, seu irmão,
Seu primo, seu filho do mesmo jeito
Só que agora com uma Saudade que dói demais.


Saudade, Dan. saudade!

Luis Eduardo.




Nossos Filhos

Enzo, menino bonito, sua tia Mile me enviou esse texto. É tão terno... Tão tudo...

O papel em branco dentro do livro me chamava... No meio de um engarrafamento sentia um vontade enorme de escrever, era a saudade que estava angustiando e fazendo voltar meus pensamentos para Daniel.


Dia 02/07 foi o primeiro dia de aula de Enzo e Tais nos deu a oportunidade de preparar, ao lado dela, esse momento para ele, para que tudo saísse perfeito.


Enzo estava lindo, meu menino com Olhos de Sol. Sua alegria, contagiante. Tinha certeza que se Dani estivesse na hora que Enzo entrou na escolinha, não ia se conter em lágrimas. O "papaizão" dele esta crescendo e passando por uma fase tão especial e importante.


Muitos pais devem valorizar cada momento da vida ao lado de seus filhos e fazer deles uma verdadeira festa. Se puderem comemorar, comemorem! Tirem fotos, registrem não só no pensamento... Registrem pra valer.


Damos prioridades a tantas coisas e às vezes esquecemos de curtir nossa família, as fases dos nossos filhos... Pequenas coisas, grandes momentos.


Dia 04/8/2011, quarta-feira, Malu foi fazer a sua primeira viagem sozinha. Senti uma vontade enorme de ligar para Daniel, que era como se fosse um pouco pai dela também e passar o telefone para que ele falasse para ela os milhões de conselhos malucos de um tio-pai louco e apaixonado.


Eu não tive como fazê-lo, ficou um vazio enorme. Ela me olhou e parecia que sabia no que eu estava pensando naquele momento.


Dida, nossos filhos estão crescendo, vêio... E vou te contar os momentos que eles estão vivendo, cara!


Queria muito te dizer isso pessoalmente, mas sei que de alguma forma,
você ta vendo tudo daí de onde você esta.
Fique rindo de mim não, seu Sacaninha.


Amo você.


Iana Jamile
Em 05/8/2011

Motivação ou automotivação? A escolha é sua.

Enzo, meu velho, saca só que texto abonitado seu pai escreveu em 2008... Foi sua tia Mile quem me mandou. Te amo.


Se buscarmos as origens e os significados mais profundos sobre a motivação, retroagiremos décadas e décadas e teremos dezenas de significados, conceitos e pontos de vista. Encontraremos centenas de teorias interessantes e até mesmo complexas. Porém, todos direta ou indiretamente concluirão a mesma "essência" do que é motivação.
Mas não é o significado de motivação que será o escopo deste artigo, e sim sua importância, seu envolvimento, sua influência positiva ou negativa em caso de ausência, na vida das pessoas. Ouvimos com frequência alguém falando que "não está motivado" em seu trabalho, "não está motivado" com seu casamento, namoro, curso, vida, que está desmotivado. Paralelamente a isso, busca uma alternativa para culpar, ou seja, apresentar uma justificativa para seu desinteresse por algo, como se não fosse uma decisão pessoal.

Durante toda a nossa vida passamos por momentos que muitas vezes causam um grande desgaste – decepção, frustração, ou indignação – e ficamos emocionalmente fragilizados. Mas passamos por centenas de momentos que nos causam alegria, orgulho, satisfação e realização. Sentimentos estes que causam euforia e vontade de “quero mais”. As lembranças que iremos guardar dos momentos vividos dependem de nossa escolha, do que damos mais importância para nosso crescimento intelectual, pessoal, afetivo e profissional.

E é justamente a escolha destas lembranças passadas (boas ou más) que estarão definindo nosso presente e futuro. Há pessoas que escolhem recordar constantemente de seus maus momentos. Assim, passam grande parte do tempo irritadas, desmotivadas, insatisfeitas e deixam de dar atenção à sua qualidade de vida. Já aqueles que optam em recordar os bons momentos e também utilizar os possíveis maus momentos como um aprendizado, desenvolvem mudanças pessoais, se encontram mais acessíveis, fazem planos e possuem uma boa qualidade de vida.

Ser "motivado a" fazer algo é ser dependente de um combustível que pode terminar a qualquer momento e será necessário buscar nova fonte de energia para esta motivação. É estar aberto a maiores frustrações, por gerar expectativas sobre algo ou pessoas, diferente do que poderá acontecer e do que poderão realizar.

Ser “motivado a” é aguardar algo acontecer, algo externo, que não depende exclusivamente de você, e sim de algo que o motive, o conquiste, o leve realizar. É realizar algo que poderá dar errado, pois você não desejou realmente realizar aquilo, apenas aproveitou o momento para realizar.

Ser "motivado a" realizar algo é ter alguma coisa que o leve a realizar, chame sua atenção, desperte seu interesse criando a curiosidade de vir a participar ou colaborar com algo. Já ter AUTOMOTIVAÇÃO é se manter programado para buscar de maneira continuada aquilo que acredita, deseja e faz parte de seu ideal.

A pessoa automotivada reconhece seus erros, desenvolve novas estratégias, reorganiza seu plano de vida, divide suas alegrias com as pessoas próximas, tem bem definido o que deseja conquistar em sua vida e o que é prioridade. Não se abala pelo cansaço, devido ao excesso de tentativas, mas demonstra euforia pela oportunidade em poder buscar o sucesso, realizando novamente de forma mais precisa.

Ser automotivado é amanhecer tendo a certeza de que irá fazer algo novo, fazer o comum se tornar diferente. O automotivado encara seus desafios como oportunidades de aprendizado e autodesenvolvimento. Quando uma pessoa é automotivada, passa a ver as situações de formas positivas; em vez de desenvolver expectativas, cria possibilidades; em vez de utilizar o tempo justificando um novo problema, potencializa o tempo apresentando uma nova oportunidade; em vez de apontar culpados pelos fracassos, demonstra interesse em treinar novos vencedores.

Ser automotivado é ir além. É não precisar viver sendo empurrado e incentivado. É lutar por tudo o que acredita, pelo desenvolvimento humano e pessoal, pelas realizações pessoais, pela conquista ética de seus objetivos. É ter a energia inesgotável em seu coração, em sua alma e utilizar essa energia para aquecer e gerar energia em todas as pessoas à sua volta, fazendo que todos vejam outros caminhos a seguir.

Motivar é mover. Automotivar é avançar. Onde você se encontra? Movendo coisas ou avançando em busca de seus objetivos?

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

"Porque eu sei que é amor"


Enzo, meu bom, olhe que texto mais lindo sua mãe produziu!!! Vi o link no Facebook dela, corri pro blog e me emocionei intensamente. Pedi-lhe pra postar aqui e ela gentilmente permitiu.

Sua mãe é uma mulher que eu admiro e respeito. O que mais me chama atenção nela é a capacidade de superação, mas sei que como eu, como qualquer ser humano, tem suas vulnerabilidades. 

Rezo pra que as feridas dela se curem e que ela seja feliz. Ela merece. Você merece.

domingo, 7 de agosto de 2011

Momento sem noção

 Enzo, meu broder, como sempre digo que a vida é importante demais para ser levada a sério, vamos nos deliciar com um momento ridículo que vivi com seus pais e sua tia Ci.

Aconteceu no dia 19/09/2008, meu aniversário. Eu e sua tia Ci estávamos numa hospedaria nada recomendável para pessoas com um mínimo de decência porque tínhamos pouca grana e iríamos detonar uma pizza naquela noite com um batalhão e também incluímos na programação da minha singela passagem de anos, assistirmos uma peça no dia seguinte. Então optamos por ficar na espelunca a fim de sobrar bufunfa para nos empanzinarmos e nos embriagarmos de diversão e arte.

Seu pai e sua mãe optaram por uma comemoração mais íntima e foram me dar um abraço lá na alcova libidinosa. Chegaram lá, beijos, abraços, carinhos, risos e eles me presentearam com sabonetes e velas deliciosos de chocolate que sua mãe fez. Não pense que os comi. Mas eram tão lindos e o perfume mexeu tanto com meu apetite, que se não fosse o pouco de sanidade que sua tia Ci ainda tinha na época, eu os teria devorado.

Menino, aí rolou um surto coletivo em nós quatro e acho que seu pai sugeriu cantarmos parabéns para mim, usando uma das velas de chocolate como instrumento mágico. Fizemo-lo. O surto foi se graduando e aí  nós quatro, cada um em seu momento psicodélico, começou a manter uma relação profunda com a chaminha (chama pequena) da vela.

O resultado foram essas fotos acima cheias de olhares maravilhados e abestalhados, fotógrafos e flashes aparecendo no reflexo do espelho e o carinho que sempre nos uniu e prevalecerá. Amamos seus pais. Amamos você. Foi uma comemoração inesquecível! Beijo!

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Daqui pra frente

 Enzo, meu rei, olha que texto lindo seu tio Edu me enviou... Não consigo comentar mais nada...

Daqui pra frente, lembranças minhas serão como nossas conversas.
Daqui pra frente, eu vou deixar de ter a vida mais colorida, como ia de ser com você nesse mundo. E as lembranças, ah! Essas lembranças... Só me confirmam isso.

Lembro do dia em que você foi mordido pelo próprio cachorro. Um “Salsicha” que, de tão mimado, chegou a ponto de fazer escorrer sangue do seu braço ao receber um tapinha no dorso pela má criação.

Lembro das vezes em que você me colocava no Gol azul de tio Zé para secar a gasolina. Rodávamos por toda cidade, parando em vários bares, comendo pelas lanchonetes das ruas, fumando cigarro ativa e passivamente. Cigarros que eu me negava a comprar.

Me lembro das várias noites em que eu ia dormir em sua casa para te fazer dormir tarde da noite, para me ensinar Física para a prova do dia seguinte. Chamando-me de burro e me fazendo gravar a formula V= vo + at associando-a a frase: Vermes Voadores Atacam a Terra, e lendo um livro a cada pausa “eterna” para que eu concluísse uma insignificante questão de Mecânica.

Lembro-me das vezes em que você me acordava puxando minhas calças pra cima como O Máscara, me xingando, puxando meus pés e se jogando na cama.

Lembro-me de quando você chegava em nossa casa na ilha e cumprimentava a todos com um malemolente e transviado: -“Boa noite, Tairú!”

E também da vez em que contando meus problemas na relação de filho e pai, você me perguntou o que representava para mim, esperando me ouvir falar: “amigo”, “primo”, “irmão”, ou coisa do tipo, pois tinha como intuito somente a confirmação de que estava acompanhando o raciocínio. E de lá fui eu, e achando que você tinha feito a pergunta no sentido figurado, entrei num choro soluçante de criança com a vergonha de se abrir de um adulto, balbuciei: “Você pra mim é como um pai!”
E acabou que essa foi a frase que eu usei pra descrever todo o meu amor pela primeira vez... E infelizmente também, a última, pois foi umas das últimas coisas que lhe disse nos seus últimos momentos acordado aqui na terra como Daniel.

Lembro-me de todas as minhas primeiras visitas aos seus diferentes apartamentos (os quais você denominava: esconderijo). Principalmente da vez em que vim a Salvador prestar vestibular e na manhã seguinte e acordei todo quebrado. Você havia me posto para dormir num daqueles colchões infláveis de acampamento, que no decorrer da noite foi se esvaziando. Acordei no chão, todo doído. Você foi me levou para fazer a prova e me buscou pra me levar no Ferry. Resultado: Passei no vestibular numa boa posição e hoje estou prestes a concluir o curso, que por sinal, era o mesmo do seu.

E assim, eu poderia levar horas, páginas, escrevendo pedaços de memória, lembranças soltas de nossa relação, o carinho, o afeto e a fraternidade entre nós. Mas não tenho a intenção de consolidar tudo num papel.

Tenho a plena certeza de que é impossível imprimir meu amor, demonstrar meu sentimento e descrever minha saudade de forma perfeitamente justa!

Eu lhe amo, eu lhe amo.

E tenho dois recados pra toda a família de fãs, saudosos, e amantes de Luiz Daniel:

I:

Se nossa vida fosse um grande livro
Luiz Daniel seria um capítulo mesclado por poesias de amizade e piadas
Então por que ficar pra baixo quando lembrar dele?
Poesias nos dão uma emoção bonita, pura, branda.
E piadas nos fazem sorrir, e não chorar!
Sendo assim...
Lembremos de Daniel como toda ternura da leitura de um poema de João Pessoa
Sem deixar o pessimismo e o apego nos botarem pra baixo.
E depois de lembrarmos, das palhaçadas dele, das escrotidões dele
Vamos sorrir como numa piada de Ary Tolledo.


II: E também...
Vos peço com muita humildade
Que tirem, com muito carinho
Somente 20 segundos dos seus dias tão atarefados e agitados.

Para calar-se,
fechar os olhos,
pensar na essência de Daniel (Mentalizar não o seu rosto ou o seu corpo mas a ideia, o link, a percepção ou sentimento associado a Daniel)
E pedir á Deus que derrame muita luz sobre Daniel
E á ao Dani, se esforce com resignação a encontrá-la.

Só isso, mais nada,
É tudo que nós podemos fazer
É o somente o que ele precisa, DE NÓS.

Fico muito Grato a todos que pelo menos tentarem.


Um grande abraço fraterno.
Luis Eduardo.

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Fotos da 1ª Comunhão


O olhar do seu pai sempre me encanta, Enzo, e é uma experiência mágica penetrar nesse vasto mundo chamado Daniel. Ora herege, ora cristão; ora mocinho, ora bandido; ora sério, ora engraçadíssimo - ou seja TOTAL.


Essa é fantástica! Registrada a 1ª Comunhão do nosso Dida - Ah! Moleque...


Enzo, qualquer caminho escolhido é apenas um caminho. O que conta mesmo é pelo que o seu coração vai vibrar. Ao longo da vida você se deparará com muitas escolhas. Não tenha medo de arriscar, não tenha medo de errar, de voltar atrás, de tomar outra direção e lembre-se: Nada por aqui é definitivo. Mas não deixe de ser intenso em suas coisas só porque tomará consciência dessa deliciosa transitoriedade.


Amo essa foto!


E a galera de Cristo toda reunida - Aaaêêê! - Acho massa ver Dida e Nanato próximos, vivendo esse Ritual de Passagem, bem aí na segunda fila (de baixo pra cima - à esquerda do centro).

quinta-feira, 28 de julho de 2011

O Texto de Janine

Enzo, Filho da Minha Alma, tia Janine também conheceu seu pai e tem seguido o blog. É uma figura linda, rara e o que sempre me chamou atenção nela é sua capacidade natural de ser verdadeira. É uma figura que admiro e amo.


Pois bem, nessa semana "Nine" mandou uma mensagem para tia Mile, que por sua vez, enviou para mim e agora eu a envio para você...


Divirta-se.




Mile, que linda a homenagem de vocês... Já conhecia o blog, mas toda vez que entro, me emociono... Lembro demais de Daniel na sua casa quando íamos brincar depois das aulas no Zé Marcelino... 

 Na época, éramos mocinhas e ele,uma criancinha. 

Claro que ele nos apurrinhava mais que qualquer outra coisa (risos). Afinal éramos um monte de meninas falando sem parar, brincando de pentear cabelo uma das outras enquanto ele queria usar o mesmo espaço da casa para brincar! 

Hahahahah, lembra? 

No dia dos patins (e não skate como você postou) lembro que foi ele quem mais riu da minha queda como se dissesse 'ufa, só assim para essas meninas liberarem a área'. (risos)

Enfim, lembro também que ele te chamava de “Bibi” quando estava 'de bem' e quando estava enfurecido, de 'Jamile' mesmo.

  Querida, ninguém gostaria de estar em seu lugar. Aposto dólares nisso, mas tenha certeza de que o seu irmão deixou em todos apenas boas lembranças: uma pessoa de riso franco (Como deve ser bom ser lembrado pelo riso, não é?) de gestos simples, de boca porca (tem coisa melhor?), de bem com a vida! Como diria o nobre Renato Russo “É tão estranho, os bons morrem cedo”. De fato, não há o que explicar, apenas apostar que a vontade de Deus sempre será soberana e muito acima de qualquer tentativa de entendimento.


Beijo no coração!!!









segunda-feira, 25 de julho de 2011

Eternizando o Amor


Enzo, meu lindo, estive com sua tia Mile hoje. Fui buscar uma encomenda que ela trouxera de Nazaré. Quando nos vimos, nos abraçamos e a magia que rolou foi tão intensa, que não queríamos mais nos soltar.

Mais cedo ela me contou o encontro que teve com seu pai e eu fiquei emocionado. Quando a vi, luminosa como a manhã, só quis ficar junto dela, ratificando meu amor por ela, evocando nosso amor por Dan e mentalmente eu dizia: Velho, onde quer que esteja, receba esse amor. Nós te amamos. Senti a força e a presença da minha irmã e pensei: Não quero perder uma só oportunidade de estar junto dessa mulher.

Depois que nos despedimos, ficamos trocando mensagens pelo celular a fim de eternizarmos o momento que nos demos de presente. Quando cheguei em casa, entrei na internet e abri o e-mail que ela me enviou. Li então esse texto feito por ela...

Hoje, abracei Tony e  foi tão difícil soltá-lo. Não queria largar mais. Recostei meu rosto sobre sua face, senti seu coração bater junto com o meu... Queria que o tempo parasse que o tempo voltasse e que o mês de maio não tivesse existido e que Dida, meu irmão caçula, não tivesse partido.
Tento ser forte, mas parece que falta um pedaço dentro de mim. Os dias passam e a dor não...
É estranho olhar em volta,  tudo parece igual, mas agora é tudo diferente, Dida não está aqui. Acabei de falar com minha mãe, para pegar um pouco de força, para ouvir dela algo que acalmasse meu coração.
Sonhei com Dani hoje: ele estava pronto para viajar e me dizia apenas que estava indo para um lugar novo, que era necessário agora. Ele não sorria, mas estava com o rosto tranquilo, pés descalços e muito sereno.  Me sinalizava que não podia falar muito, ele estava bem! Eu fazia mil perguntas e ele não podia responder... Tive que acordar e voltar para realidade.
Tentei dizer: “Boa Viagem, meu irmão, e até breve”, mas não consegui, ainda estou aprendendo...
Desculpe por te amar desse jeito, desculpe minhas falhas, desculpe por não ter conseguido te tirar daquele Hospital  São Marcos quando você me pediu, desculpe por não ter sido a irmã perfeita... Desculpe por não estar sendo espiritualista o suficiente para aceitar a sua ida para o plano espiritual, sou humana e cheia de falhas.
Eu quero que o tempo passe e a dor também...
Te amo para sempre.
Da sua *Bibi...

PS.:* "Bibi" era a forma como Dani aprendeu a  chamar meu nome quando ainda era um bebê e ele me chamou assim durante muitos e muitos anos.

domingo, 24 de julho de 2011

Daniel Sam



Enzo, meu rei, teve um tempo na vida de seu pai, o cabra ainda era menino, em que ele curtiu Karatê. Eis uma foto que eu acho o máximo - Ele fazendo o Katá - conjunto de movimentos de ataque e defesa contido nas artes marciais japonesas - Gosto de ver o olhar dele, o jogo do corpo, a base, a concentração e desde cedo a gente já percebe a obstinação e a perseverança que norteariam a vida desse grande cara.
Dida é meu eterno Karatê Kid.


Olha essa agora, que lindo! Mesmo chegando a hora em que ele optou por deixar o Karatê, por ter percebido que o ciclo dessa prática havia se concluído, enquanto esteve apaixonado por isso, dedicou-se de corpo e alma, como o fez por tudo que despertou sua paixão. Seu pai é um homem eternamente enamorado.


E é com essa que finalizo essa postagem, mais uma homenagem de um irmão apaixonado por um irmão apaixonante e inesquecível. Não há um só dia em que eu não pense nem sinta Daniel Sam e sei que a recíproca é mais do que real.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

O que me sustenta


Enzo, meu amado, além do meu agora e de alguns planos para o futuro, o que me sustenta são algumas lembranças do passado. Tenho muitas relacionadas a seu pai que me ajudam no sentido de eternizar o amor que nutro por ele. Entenda que por eu amar Daniel, não tenho a menor intenção de retê-lo aqui. Quero mais é que ele voe, porque o verdadeiro amor não pressupõe algemas e onde quer que ele esteja, eu estarei nele e ele, em mim. A morte física só separa os que não sabem amar. Guarde bem isso.

Lembro-me de Daniel puto porque minha mãe e tia Nice ainda impunham a ele ir à famosa Missa das Crianças aos sábados. Houve até um tempo em que a missa tinha lá seus encantos, mas depois que a gente passa a ver a igreja com olhos mais maduros, sabe que há também muita hipocrisia (fazer o quê? Uma instituição humana não pode ser, de todo, santa). Pois bem, eu e sua tia Mile já éramos um tanto hereges e Dan, espírito livre, também não conseguiu se moldar aos ditames católicos apostólicos romanos. A forma que ele tinha de protestar contra as imposições religiosas era fazer várias paródias (sacanas) das músicas de Padre Zezinho. Eu curto o pioneiro padre cantor, mas era irresistível presenciar seu pai cantando aquelas adaptações e não me descontrolar de tanto rir. Tinha uma música mesmo que era assim: “Há um barco esquecido na praia”. Daniel cantava “Há um barco esquisito na praia” – essa era uma das versões mais suaves, as demais são impublicáveis he he he.

Lembro-me também de quando eu, ele e Mile passávamos as tardes vendo a Sessão da Tarde com aqueles filmes repetidos e batidíssimos que sempre nos encantavam. O deleite estava em estarmos juntos e sempre eu fazia mingau de chocolate para nós três... A gente “se lavava”. Era delicioso! Não podia deixar de registrar além das tardes achocolatadas, as brigas que tínhamos para equalizar a distribuição de nhoques entre os três. Hoje ainda sou louco por esse prato, mas era bem mais engraçado – e até mesmo mais gostoso – quando o comia com seu pai e sua tia.

Num dia estávamos na casa de João Paulo (Bobó), em Berlinque. Eu, Dida, Bobó, Raimundo e um amigo de Raimundo que era uma autoridade. Tomávamos cerveja, comíamos tira-gostos e falávamos de política. A autoridade começou a tirar onda e a dizer algumas bobagens que deixaram meu irmão indignado. Chegou um momento em que o cara já tinha falado tanta asneira, que Daniel, sem se alterar disse pro homem: “Vá tomar no c... que não é assim que a banda toca”. Todos ficamos mudos, o indivíduo ficou sem chão e Dan defendeu seu ponto de vista que foi definitivo pra encerrar aquela discussão estéril que não nos levaria a lugar algum.

Certa tarde, na Escola Aildes Almeida, onde fui professor dele, o cara se juntou a uns colegas e começou a bagunçar na minha aula. A galera ficou quieta e ele continuou. Foi aí que perdi a cabeça e o chamei de “Vagabundo”, ele, para variar, me mandou tomar naquele lugar, e eu o mandei se retirar da sala. Ele saiu transtornado. Eu fiquei mais ainda. Uma coisa que odiávamos era nos desentendermos. Ele foi pro pátio e dei aula a pulso, com o pensamento nele. Ao final da aula, fui procurá-lo, pedi desculpas, ele também me pediu, nos abraçamos e caímos no choro. Nunca mais nos desrespeitamos.

Rapaz, me lembrei agora de uma madrugada... Dan ainda nem sonhava em namorar sua mãe e estava ficando com uma menina linda. Eu havia perdido o sono e decidi levantar para estudar, quando ouvi uns gemidos estranhos do lado de fora. Imaginando que era algum ladrão, peguei um porrete, respirei fundo (estava ame borrando de medo, mas não ia deixar o suposto ladrão agir sem uma represália), acendi as luzes e abri a porta com tudo... Era nada mais, nada menos do que seu pai e a mina assustados e nus como vieram ao mundo. sorri sem graça, a menina se cobriu com a rede e ele, se acabando de rir, me disse: “Vá deitar, seu empata-foda!” – Rimos horrores depois.

No dia em que ele foi assaltado e os marginais o espancaram e roubaram-lhe o carro, fiquei doido. Eu estava morando em Areias e soube do episódio. Seus tios Beto e Mile deram cobertura inicial a ele na delegacia, na hora de prestar queixa, depois eu e sua tia Ci o amparamos para fazer o exame de corpo em delito, lanchar e consolá-lo. Como sou um cabra passional (hoje em versão um tanto melhorada), comecei a amaldiçoar os bandidos e conjurar Uns Amigos para que desgraçassem com a vida deles. Dani estava com a camisa rasgada, a bermuda suja, os pés imundos, o olho roxo do murro que tomou, todo lenhado por ter sido agredido pelos covardes e mesmo assim, afagou meu ombro e me disse: “Faça isso não. Eu não tinha nada que reagir”... Aquilo me desarmou! Como é que o cara que tinha sido lesado pelos FDP estava ali reconhecendo sua responsabilidade no resultado daquele infortúnio e eu ainda estava cheio de ódio querendo a cabeça de cada um? Resolvi pegar leve: Conjurei Meus Amigos pedindo que fechassem os caminhos dos fora-da-lei. No mesmo dia foram presos.

Eu sempre me surpreenderei com Daniel. Um homem normal, cheio de defeitos, repleto de virtudes. E te digo, Enzo, procure conhecer a vida do seu pai, procure não repetir as coisas que ele fez que causaram mal a ele e faça o possível para seguir seu exemplo nas coisas em que ele fez a diferença e foi Mestre: Liberte-se das amarras religiosas e dos preconceitos, seja altruísta, não se deixe acorrentar pelas ilusões da política, reconheça seus erros, ame intensamente e sem reservas, assuma suas responsabilidades. 

Amo-te, meu Príncipe.