segunda-feira, 21 de maio de 2012

Declaração de Amor de "Tia Bile"


Enzo, meu Guerreiro Menino, olha só que declaração sua Tia Bile fez para você...

Meu querido sobrinho, Enzo, esse texto eu dedico a você.

Esse final de semana sua mãe permitiu que você viesse passar o final de semana comigo e pude te conhecer melhor, ver como você é forte, retado, decidido... E tão parecido com seu pai.

Vi você dormir e pedir a Deus, que através do seu anjo de guarda  te protegesse a cada minuto, não deixasse você sofrer e estivesse ao seu lado a cada centímetro que você crescesse...

Vi você paradinho, ouvindo Tio Beto tocar piano e pude notar como você é sensível, como se dá bem com a música...

 Acordei de madrugada para te cobrir e pude ver como você esta grande...

Vi seu jeitão de homem, mesmo tão pequeno, tão criança...

Te vi entre minhas filhas e sentir a alegria delas ao te ter por perto.

Eu me senti bem, feliz, senti como se seu pai tivesse me abraçando e sorrindo, parecia até um sonho, mas foi tudo real. 

Dei muitas risadas ao ter que correr atrás de você para trocar sua fralda cheia de coco e ao tentar te dar banho e ouvir você dizer: "Tô limpinho tia Bile..." uma grande semelhança: seu pai quando pequeno, me chamava de BIBI, eu adorava... Eu adoro... Eu vou adorar a vida toda.

Quando você tiver mais idade, vai ler esse texto e compreender que seu pai foi um homem batalhador, AMIGO, uma figura linda, um PAI QUE TE AMOU e que nunca vai deixar de te amar tenha certeza disso. Ele soube escolher bem a sua mãe, uma mulher que eu admiro muito. 

Ah... Parece que seu pai ensinou a você a abusar Lilica (nossa cachorrinha)... Ele chegava aqui e detonava a cachorrinha de tanto xingamento, ai você chega e diz de cara: "cachorra feia"! Muito igual, ainda bem que você não pronuncia os palavrões que ele usava. (mil risos).

Tem momentos que a gente não sabe expressar o nosso sentimento direito, mas espero que você entenda essa carta daqui ha algum tempo. Eu amo muito você e vou estar ao seu lado SEMPRE. VIVA SEU PAI, ENZO. VIVA DANIEL! 

Iana Jamile.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Onde ele estiver, tem Carnaval

Enzo, meu sobrinho, é impossível esquecer do riso solto, do escândalo, do escrache, do deboche e da presença de Dida em qualquer momento que vivo.

É impossível esquecer suas ponderações sérias, seu ar muitas vezes mais adulto do que o meu, seu abraço forte de urso e o melhor amigo que tive - e tenho - onde quer que ele esteja.

Seu pai sempre amou Carnaval e se soltava bonito em todas as festas que ia. Onde quer que esteja, talvez agora apreciando todas as ilusões terrenas com um pouco de mais moderação, deve ainda curtir. Vejo-o levantando os braços, fazendo "Paz e Amor" com os dedos e indo na levada...

Ano passado, 21/02, eu, ele e sua tia Mile estávamos juntos, festejando o aniversário dela, que na verdade é no dia 22, mas como a nossa amada Pisiciana ia viajar, antecipamos o reggae. Hoje, 21/02 fui dar um abraço nela, porque ficaria complicado fazê-lo na Quarta de Cinzas - "minha alegria atravessou o mar e ancorou na passarela" quando senti a energia dele bem junto da gente, num momento ímpar em que celebrávamos o Amor, a Vida e a Amizade.

Meu irmão para mim sempre será uma Lenda Viva e Real... Isso é bem coisa de quem ama. É bem coisa de quem é apaixonado. É bem coisa de um cabra que vive de amor por outro. 

O Império Momesco se finda e a Festa da Vida continua. Daniel, o eterno folião, permanece vivo e onde ele estiver, tem Carnaval.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

E o Natal será feliz?

Apesar de seu pai não estar mais conosco materialmente, meu sobrinho querido, a manutenção da felicidade e do amor é uma tarefa que deveremos empreender. Andei meio depressivo esses tempos: um tremor insuportável no olho direito, insônia, angústia, vazio... Quando me dei conta, vi que tudo era por causa da "P. do Natal", como seu pai sempre disse, que estava se aproximando...

Aí encarei minha recaída, tomei um bom banho de sal grosso, bati tambor, fiz uma fogueira e me entendi com uns ramos de aroeira. Nem precisei de Prozac!!! E mais forte veio a convicção de que o amor tudo pode. 

Lembrei-me de como Dida via (ou vê) o Natal; da tendência formidável de dessacralizar o momento, de esculhambar o protocolo, de sair anunciando "É vem o menino!" quando tia Nice ia, ritualisticamente, colocar a estátua do Menino Jesus na manjedoura do tradicionalíssímo Presépio familiar; da mania infame dele de revelar todos os amigos ocultos que chegavam ao seu conhecimento; dos presentes inusitados que ele dava...

Lembrei-me de tudo isso e o senti tão presente, tão risonho, tão lindo, tão irreverente, tão pleno que enchia todos os lugares onde estava...

Aí eu ri muito, meu rei, gargalhei gostosamente, como sempre fiz e o senti bem perto, me abraçando e me dizendo "Te amo, Titom!"

Eu dei um tempo com o blog. Além de nunca mais terem me mandado histórias, decidi dar uma parada a fim de que seu pai pudesse alçar vôos mais altos, pois eu sentia que a constância das postagens o estava impedindo de realizá-lo. Agora estou mais inteiro e sei que ele está mais feliz com a partida.

Em memória do meu irmão, seu pai, volto a postar. Façamos um Natal Feliz, por nós e por ele.

domingo, 16 de outubro de 2011

Uma carta para meu irmão

Enzo, meu príncipe, olha que coisa mais linda sua tia Mile escreveu no dia do seu aniversário! Te amo, menino bonito.

                Os espíritos conseguem uma permissão para transmitir mensagens através de médiuns para nós aqui, eu peço humildemente a Deus que faça com que algum Amigo Espiritual transmita essa mensagem para meu irmão, Luiz Daniel que desencarnou no nosso plano no dia 22/05/2011.

Meu irmão,

Hoje é dia 29/9/2011, seu filho esta completando 02 anos de vida, ela está lindo, adora música, esta crescendo, os olhos deles parecem faróis, brilham, lembram muito o seu olhar, só que é bem mais bonito. Ele já é um pequeno grande homem.

Nossos pais estão tentando acostumar-se e aceitar a sua partida. Não está sendo fácil. Quando olhamos para eles parecem que envelheceram alguns anos, mas quero te dizer que eles  voltaram a morar juntos, eles se uniram pelo amor e pela dor. Vou cuidar deles sempre.

Gaia, sua cadela, tem um novo lar, cercado de crianças e com muitos espaços. Ela esta feliz.

Dida, Taís está trabalhando, ela se tornou uma mulher forte, aliás, ela sempre foi, você soube escolher bem a mulher para cuidar de seu filho.

Malu não fala sobre sua partida, ela colou do lado da cama dela sua foto. Acho que ela ainda não acredita que você está aí do outro lado, às vezes, nem eu acredito, mas tenho tentado aceitar e compreender, mas é difícil demais porque a saudade não passa, “véio”, ela aumenta. Tem dias que a vontade de te ver dói tanto que fico pedindo a Deus para sonhar com você.

Eu e Tony, desde que você foi para o andar superior, não conseguimos realizar os nossos encontros, aqueles: só nós três... Vou marcar com ele e vamos nos acomodar embaixo daquela mesma árvore no Solar do Unhão, igual aquele dia que ficamos nós 3. Conversaremos besteiras, daremos risadas, falaremos meio mundo de palavrões lembrando de você.

Tom e Ci estão bem, prosperam em alegria na Khalil.

Beto está bem, viajou para Alemanha, estamos crescendo juntos.

Dani, você conseguiu unir a família, conseguiu fazer dos seus amigos, os nossos amigos, conseguiu fazer muita gente refletir sobre a vida e sobre a morte.

Meu velho, eu sinto uma falta enorme de você. Espero que o “brother” que consiga transmitir essa mensagem aí onde você esta, consiga passar todo carinho, amor, saudade, paz e luz que você precisa.

Sinto falta de ficar na ponta dos pés para poder te abraçar pelo pescoço, sinto falta até do cheiro de cigarro que te acompanhava. Não quero lembrar dos dias que passamos num determinado hospital. Senti muita raiva de todos de lá, principalmente dos responsáveis... Através do estudo do Espiritismo e das diversas mensagens que ouvi no Centro, passei a compreender  (não completamente) que eles foram “a porta” para sua “viagem”. Ainda não consegui perdoá-los completamente, estou tentando acreditar que fizeram o que puderam...   

A vontade que tenho é não parar de escrever, permanecer por horas com essa sensação que você tá parado, mordendo a língua de um lado para outro da boca, rindo, passando a mão na sua barriga, franzindo a testa, coçando a cabeça de um jeito engraçado virando a mão igual a de um macaco, mas daqui a pouco você se dana e não tem mais paciência de ficar ouvindo.

Eu amo você Dida. Penso e oro por você, pelo seu filho e por Taís todos os dias e vou continuar a fazer até a gente poder se encontrar novamente, ai vamos fazer isso juntos.

Iana Jamile Santos de Jesus Guimarães.


quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Um poema para Enzo

Seus olhos são as estrelas mais lindas que já vi
Seu sorriso me faz crer que a vida pode dar certo
Sua presença é doce e suave
Você é o guerreiro da paz e nasceu para vencer

Quando tudo estiver escuro
A chama que arde em seu coração será sua luz
Quando o mundo te disser não
Você será capaz de encontrar seu sim
E eu vou estar contigo, Enzo,
É só me enviar seus sinais

Na tormenta serei seu farol
Na dor, seu bálsamo
Na solidão, seu amigo
No vacilo, seu apoio

A coragem de suas escolhas para mim é um exemplo
A força da sua alma, alento
O poder do seu espírito, inspiração
Ser sangue do seu sangue, o maior presente

Parabéns, Grande Homem!

29/09/2011

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Texto de Paty

Enzo, meu príncipe. Tá chegando o dia de seu aniversário. Dois aninhos, né véio? Olha só que presente lindo sua tia Paty mandou pra você – embora você só vá lê-lo daqui a algum tempo. Te amo, lindo!

Para Enzo:

Conheci Daniel ainda molecote, com uns 6, 7 anos. Naquela época já era uma figurinha, cuja presença não passava despercebida. Lembro dele usando um kimono, voltando de carro, com seu avô Zé, das aulas de karatê. Eu e Toni (então namorados) conversávamos na varanda da casa deles em Nazaré e ele chegava falando pelos cotovelos, embolando a voz, tentando contar que, no final de semana haveria uma competição para mudança de faixa.

Achei seu pai um menino engraçadíssimo! Os anos foram passando, eu saí de Nazaré e meu convívio com Daniel deixou de existir. Quase nove anos nos separam, além disso, minha convivência sempre foi maior com seus tios Toni e Mile.

Em 97, aniversário de Jamile e chá de fraldas de Malu, revi Daniel depois de muito tempo. E aí levei um susto: o garoto gorduchinho crescera, perdera peso e se tornara um belo rapaz, que além de bonito era “tirado a sedutor”. Digo “tirado” porque jamais levaria a sério a paquera de um menino que vi crescer.

Em 1999, Jamile veio morar em nossa casa, em Salvador, e isso acabou reaproximando nossas famílias. As visitas de Toni e Daniel se intensificaram, a presença da pequena Malu também, os feriadões na ilha, os “aprontes” em Nazaré, as farras e bebedeiras estreitaram ainda mais nossos laços.

Daniel, agora chamado de Dida, trazia alegria, tinha sempre uma solução “não muito ética”, que todo mundo adorava. Ele parecia não ter medo, era ousado. Ou então era a irresponsabilidade própria da idade mesmo.

Quando Dida passou no vestibular, tia Marinice e Zé compraram o apartamento deles e entre lágrimas, Jamile nos deixou. Dida ajudou a carregar as muitas malas da irmã naquela tarde e nossos encontros se escassearam. A partir de então nos encontrávamos nas festinhas familiares.

Não pude ir ao casamento de seus pais, mas fui, já com Bento, ao seu chá de fraldas. Dida parecia animadíssimo com a sua chegada e a feijoada estava maravilhosa.

Pequeno Enzo (talvez não tão pequeno quando ler esse texto), a última vez que vi seu pai, ele estava com você nos braços, em frente ao Ponto 10, numa tarde de Semana Santa, em Nazaré. Ele e sua mãe transbordavam de felicidade por terem sido presenteados com sua chegada. Exibiam orgulhosos aquele bebê lindo, de 7 ou 8 meses: você!

Não tenho nenhuma lembrança ruím de Dida, e essa última me deixou a impressão de um homem maduro, amoroso, vivendo para sua família.

Seja feliz, menino Enzo. Seu pai foi um presente para todos nós!

domingo, 4 de setembro de 2011

Dida e a Banda

Príncipe Enzo, esse é mais um dos momentos memoráveis de seu pai: a primeira vez em que ele tocou na banda da escola, num desfile de 7 de setembro.

Ele ensaiou com a dedicação que sempre devotou a tudo pelo que se apaixonou. Empenhava-se nos ensaios, enchia meu saco em casa batendo nas panelas e latas, criando outros toques, pedindo opiniões, quando eu tinha saco, até me pronunciava; quando não, olhava pra ele com cara feia e ele ria aquele riso bonito e me mandava tomar naquele lugar - pessoa espirituosa, não?

Quando a data do desfile se aproximava, porém, seu pai caiu doente. E aí, o bicho pegou, velho. Todos os indícios mostravam que ele tinha condição nenhuma de se apresentar, o cara ficou arrasado, fiquei morto de pena dele, sua avó Marinice tentou de tudo para consolá-lo, mas aí o brother reagiu bonito e disse que tocaria de qualquer jeito.

E assim foi feito. O menino-homem recuperou a força, venceu o que lhe enfraquecia e sob o olhar vigilante de minha mãe, tocou durante todo o desfile, cumpriu bem a missão e fez bonito. Viva Daniel! Sempre.
Dida e os colegas da banda.