sexta-feira, 29 de julho de 2011

Fotos da 1ª Comunhão


O olhar do seu pai sempre me encanta, Enzo, e é uma experiência mágica penetrar nesse vasto mundo chamado Daniel. Ora herege, ora cristão; ora mocinho, ora bandido; ora sério, ora engraçadíssimo - ou seja TOTAL.


Essa é fantástica! Registrada a 1ª Comunhão do nosso Dida - Ah! Moleque...


Enzo, qualquer caminho escolhido é apenas um caminho. O que conta mesmo é pelo que o seu coração vai vibrar. Ao longo da vida você se deparará com muitas escolhas. Não tenha medo de arriscar, não tenha medo de errar, de voltar atrás, de tomar outra direção e lembre-se: Nada por aqui é definitivo. Mas não deixe de ser intenso em suas coisas só porque tomará consciência dessa deliciosa transitoriedade.


Amo essa foto!


E a galera de Cristo toda reunida - Aaaêêê! - Acho massa ver Dida e Nanato próximos, vivendo esse Ritual de Passagem, bem aí na segunda fila (de baixo pra cima - à esquerda do centro).

quinta-feira, 28 de julho de 2011

O Texto de Janine

Enzo, Filho da Minha Alma, tia Janine também conheceu seu pai e tem seguido o blog. É uma figura linda, rara e o que sempre me chamou atenção nela é sua capacidade natural de ser verdadeira. É uma figura que admiro e amo.


Pois bem, nessa semana "Nine" mandou uma mensagem para tia Mile, que por sua vez, enviou para mim e agora eu a envio para você...


Divirta-se.




Mile, que linda a homenagem de vocês... Já conhecia o blog, mas toda vez que entro, me emociono... Lembro demais de Daniel na sua casa quando íamos brincar depois das aulas no Zé Marcelino... 

 Na época, éramos mocinhas e ele,uma criancinha. 

Claro que ele nos apurrinhava mais que qualquer outra coisa (risos). Afinal éramos um monte de meninas falando sem parar, brincando de pentear cabelo uma das outras enquanto ele queria usar o mesmo espaço da casa para brincar! 

Hahahahah, lembra? 

No dia dos patins (e não skate como você postou) lembro que foi ele quem mais riu da minha queda como se dissesse 'ufa, só assim para essas meninas liberarem a área'. (risos)

Enfim, lembro também que ele te chamava de “Bibi” quando estava 'de bem' e quando estava enfurecido, de 'Jamile' mesmo.

  Querida, ninguém gostaria de estar em seu lugar. Aposto dólares nisso, mas tenha certeza de que o seu irmão deixou em todos apenas boas lembranças: uma pessoa de riso franco (Como deve ser bom ser lembrado pelo riso, não é?) de gestos simples, de boca porca (tem coisa melhor?), de bem com a vida! Como diria o nobre Renato Russo “É tão estranho, os bons morrem cedo”. De fato, não há o que explicar, apenas apostar que a vontade de Deus sempre será soberana e muito acima de qualquer tentativa de entendimento.


Beijo no coração!!!









segunda-feira, 25 de julho de 2011

Eternizando o Amor


Enzo, meu lindo, estive com sua tia Mile hoje. Fui buscar uma encomenda que ela trouxera de Nazaré. Quando nos vimos, nos abraçamos e a magia que rolou foi tão intensa, que não queríamos mais nos soltar.

Mais cedo ela me contou o encontro que teve com seu pai e eu fiquei emocionado. Quando a vi, luminosa como a manhã, só quis ficar junto dela, ratificando meu amor por ela, evocando nosso amor por Dan e mentalmente eu dizia: Velho, onde quer que esteja, receba esse amor. Nós te amamos. Senti a força e a presença da minha irmã e pensei: Não quero perder uma só oportunidade de estar junto dessa mulher.

Depois que nos despedimos, ficamos trocando mensagens pelo celular a fim de eternizarmos o momento que nos demos de presente. Quando cheguei em casa, entrei na internet e abri o e-mail que ela me enviou. Li então esse texto feito por ela...

Hoje, abracei Tony e  foi tão difícil soltá-lo. Não queria largar mais. Recostei meu rosto sobre sua face, senti seu coração bater junto com o meu... Queria que o tempo parasse que o tempo voltasse e que o mês de maio não tivesse existido e que Dida, meu irmão caçula, não tivesse partido.
Tento ser forte, mas parece que falta um pedaço dentro de mim. Os dias passam e a dor não...
É estranho olhar em volta,  tudo parece igual, mas agora é tudo diferente, Dida não está aqui. Acabei de falar com minha mãe, para pegar um pouco de força, para ouvir dela algo que acalmasse meu coração.
Sonhei com Dani hoje: ele estava pronto para viajar e me dizia apenas que estava indo para um lugar novo, que era necessário agora. Ele não sorria, mas estava com o rosto tranquilo, pés descalços e muito sereno.  Me sinalizava que não podia falar muito, ele estava bem! Eu fazia mil perguntas e ele não podia responder... Tive que acordar e voltar para realidade.
Tentei dizer: “Boa Viagem, meu irmão, e até breve”, mas não consegui, ainda estou aprendendo...
Desculpe por te amar desse jeito, desculpe minhas falhas, desculpe por não ter conseguido te tirar daquele Hospital  São Marcos quando você me pediu, desculpe por não ter sido a irmã perfeita... Desculpe por não estar sendo espiritualista o suficiente para aceitar a sua ida para o plano espiritual, sou humana e cheia de falhas.
Eu quero que o tempo passe e a dor também...
Te amo para sempre.
Da sua *Bibi...

PS.:* "Bibi" era a forma como Dani aprendeu a  chamar meu nome quando ainda era um bebê e ele me chamou assim durante muitos e muitos anos.

domingo, 24 de julho de 2011

Daniel Sam



Enzo, meu rei, teve um tempo na vida de seu pai, o cabra ainda era menino, em que ele curtiu Karatê. Eis uma foto que eu acho o máximo - Ele fazendo o Katá - conjunto de movimentos de ataque e defesa contido nas artes marciais japonesas - Gosto de ver o olhar dele, o jogo do corpo, a base, a concentração e desde cedo a gente já percebe a obstinação e a perseverança que norteariam a vida desse grande cara.
Dida é meu eterno Karatê Kid.


Olha essa agora, que lindo! Mesmo chegando a hora em que ele optou por deixar o Karatê, por ter percebido que o ciclo dessa prática havia se concluído, enquanto esteve apaixonado por isso, dedicou-se de corpo e alma, como o fez por tudo que despertou sua paixão. Seu pai é um homem eternamente enamorado.


E é com essa que finalizo essa postagem, mais uma homenagem de um irmão apaixonado por um irmão apaixonante e inesquecível. Não há um só dia em que eu não pense nem sinta Daniel Sam e sei que a recíproca é mais do que real.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

O que me sustenta


Enzo, meu amado, além do meu agora e de alguns planos para o futuro, o que me sustenta são algumas lembranças do passado. Tenho muitas relacionadas a seu pai que me ajudam no sentido de eternizar o amor que nutro por ele. Entenda que por eu amar Daniel, não tenho a menor intenção de retê-lo aqui. Quero mais é que ele voe, porque o verdadeiro amor não pressupõe algemas e onde quer que ele esteja, eu estarei nele e ele, em mim. A morte física só separa os que não sabem amar. Guarde bem isso.

Lembro-me de Daniel puto porque minha mãe e tia Nice ainda impunham a ele ir à famosa Missa das Crianças aos sábados. Houve até um tempo em que a missa tinha lá seus encantos, mas depois que a gente passa a ver a igreja com olhos mais maduros, sabe que há também muita hipocrisia (fazer o quê? Uma instituição humana não pode ser, de todo, santa). Pois bem, eu e sua tia Mile já éramos um tanto hereges e Dan, espírito livre, também não conseguiu se moldar aos ditames católicos apostólicos romanos. A forma que ele tinha de protestar contra as imposições religiosas era fazer várias paródias (sacanas) das músicas de Padre Zezinho. Eu curto o pioneiro padre cantor, mas era irresistível presenciar seu pai cantando aquelas adaptações e não me descontrolar de tanto rir. Tinha uma música mesmo que era assim: “Há um barco esquecido na praia”. Daniel cantava “Há um barco esquisito na praia” – essa era uma das versões mais suaves, as demais são impublicáveis he he he.

Lembro-me também de quando eu, ele e Mile passávamos as tardes vendo a Sessão da Tarde com aqueles filmes repetidos e batidíssimos que sempre nos encantavam. O deleite estava em estarmos juntos e sempre eu fazia mingau de chocolate para nós três... A gente “se lavava”. Era delicioso! Não podia deixar de registrar além das tardes achocolatadas, as brigas que tínhamos para equalizar a distribuição de nhoques entre os três. Hoje ainda sou louco por esse prato, mas era bem mais engraçado – e até mesmo mais gostoso – quando o comia com seu pai e sua tia.

Num dia estávamos na casa de João Paulo (Bobó), em Berlinque. Eu, Dida, Bobó, Raimundo e um amigo de Raimundo que era uma autoridade. Tomávamos cerveja, comíamos tira-gostos e falávamos de política. A autoridade começou a tirar onda e a dizer algumas bobagens que deixaram meu irmão indignado. Chegou um momento em que o cara já tinha falado tanta asneira, que Daniel, sem se alterar disse pro homem: “Vá tomar no c... que não é assim que a banda toca”. Todos ficamos mudos, o indivíduo ficou sem chão e Dan defendeu seu ponto de vista que foi definitivo pra encerrar aquela discussão estéril que não nos levaria a lugar algum.

Certa tarde, na Escola Aildes Almeida, onde fui professor dele, o cara se juntou a uns colegas e começou a bagunçar na minha aula. A galera ficou quieta e ele continuou. Foi aí que perdi a cabeça e o chamei de “Vagabundo”, ele, para variar, me mandou tomar naquele lugar, e eu o mandei se retirar da sala. Ele saiu transtornado. Eu fiquei mais ainda. Uma coisa que odiávamos era nos desentendermos. Ele foi pro pátio e dei aula a pulso, com o pensamento nele. Ao final da aula, fui procurá-lo, pedi desculpas, ele também me pediu, nos abraçamos e caímos no choro. Nunca mais nos desrespeitamos.

Rapaz, me lembrei agora de uma madrugada... Dan ainda nem sonhava em namorar sua mãe e estava ficando com uma menina linda. Eu havia perdido o sono e decidi levantar para estudar, quando ouvi uns gemidos estranhos do lado de fora. Imaginando que era algum ladrão, peguei um porrete, respirei fundo (estava ame borrando de medo, mas não ia deixar o suposto ladrão agir sem uma represália), acendi as luzes e abri a porta com tudo... Era nada mais, nada menos do que seu pai e a mina assustados e nus como vieram ao mundo. sorri sem graça, a menina se cobriu com a rede e ele, se acabando de rir, me disse: “Vá deitar, seu empata-foda!” – Rimos horrores depois.

No dia em que ele foi assaltado e os marginais o espancaram e roubaram-lhe o carro, fiquei doido. Eu estava morando em Areias e soube do episódio. Seus tios Beto e Mile deram cobertura inicial a ele na delegacia, na hora de prestar queixa, depois eu e sua tia Ci o amparamos para fazer o exame de corpo em delito, lanchar e consolá-lo. Como sou um cabra passional (hoje em versão um tanto melhorada), comecei a amaldiçoar os bandidos e conjurar Uns Amigos para que desgraçassem com a vida deles. Dani estava com a camisa rasgada, a bermuda suja, os pés imundos, o olho roxo do murro que tomou, todo lenhado por ter sido agredido pelos covardes e mesmo assim, afagou meu ombro e me disse: “Faça isso não. Eu não tinha nada que reagir”... Aquilo me desarmou! Como é que o cara que tinha sido lesado pelos FDP estava ali reconhecendo sua responsabilidade no resultado daquele infortúnio e eu ainda estava cheio de ódio querendo a cabeça de cada um? Resolvi pegar leve: Conjurei Meus Amigos pedindo que fechassem os caminhos dos fora-da-lei. No mesmo dia foram presos.

Eu sempre me surpreenderei com Daniel. Um homem normal, cheio de defeitos, repleto de virtudes. E te digo, Enzo, procure conhecer a vida do seu pai, procure não repetir as coisas que ele fez que causaram mal a ele e faça o possível para seguir seu exemplo nas coisas em que ele fez a diferença e foi Mestre: Liberte-se das amarras religiosas e dos preconceitos, seja altruísta, não se deixe acorrentar pelas ilusões da política, reconheça seus erros, ame intensamente e sem reservas, assuma suas responsabilidades. 

Amo-te, meu Príncipe.

domingo, 17 de julho de 2011

Decodificando Dida

Enzo, meu amado, eu estava procurando algumas imagens de nosso velho Dida, seu papaizão, e aí encontrei essa que ilustra esse texto. Sabe do que se trata? Fiz essa foto quando fui visitá-los no Cabula, quando vocês ainda moravam lá. Acho que você ainda nem tinha nascido... Seu pai estava pintando o seu quarto.

Naquele momento fiquei tão encantado quando o vi completamente concentrado e cheio de amor, preparando o espaço pra você, que não tive outra alternativa senão registrar essa simples preciosidade.

A capacidade de generosidade e altruísmo de Dan sempre foi um exemplo pra mim. Sou até um cara legal pra algumas coisas, mas na Escola da Doação onde meu mano é Doutor, eu sou apenas um Calouro.

Aí minha mente viajou, para variar, e lembrei de outros fatos: Teve um aniversário dele em que o cara comprou muitos pães e foi doá-los numa comunidade carente; noutro aniversário, doou cestas básicas noutra comunidade.

Durante um tempo, ele trabalhou num programa de televisão que se propunha a melhorar a vida de pessoas. A produção selecionava alguém necessitado, ele acompanhava essa pessoa durante alguns dias e providenciava o suficiente para transformar a existência dura daquele indivíduo. Sempre que nos encontrávamos, ele me contava, com lágrimas nos olhos, as alegrias que sentia quando podia ajudar cada ser humano. Isso sempre fez com que eu me orgulhasse dele.

Ele sempre me incentivou a escrever e adorava ler o que eu produzia. Mesmo "apertado" financeiramente, me ajudou a publicar meu primeiro livro "Pela Janela - A História de Uma Sacerdotisa" e quando comecei a trabalhar no projeto de lançar o seguinte, "PEDÓFILO - O limite entre o algoz e a vítima", passou a me auxiliar mensalmente e a me chamar de idiota todas as vezes que eu, emocionado, agradecia o seu apoio. 

Quando comecei a publicar "OS SETE CIGANOS" no blog ARUANDA, ele se amarrou na história, e quando me ligava, à noite, geralmente estando num hotel ou num aeroporto, ou num restaurante, após um dia exaustivo de trabalho, comentava sobre o que gostara e do que não gostara na aventura. Sempre, no final da ligação, dizia: "Titom, poste um novo capítulo hoje, vá... Não me deixe dormir sem eles". E eu o fazia, por ele e por quem estivesse curtindo a saga.

Numa terça-feira, antes de ser internado, quando ainda estava em Fortaleza e já se preparando para A Grande Viagem, a gente se falou e pela última vez ele disse pra mim: Titom, poste um novo capítulo hoje, vá... Não me deixe dormir sem eles. Eu postei... Depois que ele se foi, perdi o tesão para continuar postando.Sabia que precisava concluir a história, fechar o vórtice, mas não tinha disposição alguma.

Fui aprendendo a lidar com a dor,com a falta, com a ausência dele e aos poucos, fui retomando a motivação para chegar ao fim e tenho plena convicção que fiz isso... Por ele. Aonde quer que esteja, sei que vibrou comigo quando postei o último capítulo da saga dos Filhos do Vento e que está vibrando agora que iniciei mais uma aventura gitana.

Amo seu pai demais da conta. Não sou cego com relação às sombras dele, mas posso dizer com plena convicção, que a Luz de Dida é tão bela, que sempre prevaleceu sobre seus equívocos.

Como sua avó Mari disse, ele agora habita numa estrela... Penso que nesse momento não haja lugar mais apropriado para esse menino que tenho o orgulho de chamar de Meu Irmão.





terça-feira, 12 de julho de 2011

Conversa entre Mile e Marina


Enzo, meu lindo, olhe que texto bonito sua tia Mile me enviou...


Dia 11/07/2011, cheguei em casa depois de um dia inteiro de trabalho e  recebo uma chuva de perguntas de Marina (4 anos e 2 meses):

- Mamãe, o que a gente precisa fazer para ficar aqui no chão?

- No chão como, Mari?- Quis saber.

- Sem ter que ir ficar com Papai do Céu.

Na minha ignorância, procurei respostas e disse:

- Precisamos ser sempre bons, não fazer desobediências, ajudar aos outros e viver de bem com todo mundo, mas vai ter um dia que a gente vai precisar ir trabalhar lá em cima.

Ela, com a sabedoria que tem, me questionou então:

- Tio Dida desobedeceu, foi?

Por alguns minutos fiquei calada e respondi:

- Não anjo, ele não desobedeceu, mas Papai do Céu precisou chamá-lo antes de um monte de gente porque ele precisava de alguém forte, engraçado e batalhador, então ele teve que ir.

Ela respirou fundo e decretou: 

-Eu quero demorar um monte de dia para ir pra lá e não quero que ninguém tenha que ir mais.  (Ela falou alto, olhando para cima, como se fosse para Deus ouvir)...

Meus olhos se encheram de lágrimas e não consegui responder nem falar mais nenhuma palavra. Engoli o choro e sequei as que rolaram do meu rosto. Olhei os olhos da minha pequena que começava a compreender as coisas desse mundo.

Beijo irmão.
Te amo,Mile.