sábado, 9 de julho de 2011

Curtas do Velório - II - Amigos Fiéis


Essa já foi narrada pelo seu tio Osvaldo. E é uma pena que eu não tenha, nesse momento, uma foto dele para postá-la, então vai mesmo a do seu pai tatuando seu nome no braço dele.

Osvaldo estava pegando uma menina em Barra Grande. Chegou lá num domingão ensolarado, tirando onda, maluco pra reencontrar a desinibida e a primeira notícia que soube, o deixou puto: contaram pra ele que Dida tinha ficado com a dona na noite anterior.

Osvaldo parou numa barraca e começou a comer água. Foi inchando, inchando, inchando, queria a cabeça de Dida e da criatura.

Dida chegou todo garboso “no miolo” das barracas, Osvaldo o encarou com olhar de rapina e o chamou:

- Daniel, chega aí.
Dida riu um riso de canto de boca e se aproximou do cara.
- Senta aí.
Dida sentou.
- E aí, qual é a boa? – Perguntou Dida.
- Como é que se fica com minha mulher, seu porra?
- Como é, rapaz?!
- Eu soube que você ficou com X ontem.
- Ô velho, não sabia que você tava pegando ela não.
- Você me deu corno, Daniel! Todo mundo sabia. Como é que justo você não ia saber?
Dan não aguentou mais e caiu na gargalhada:
- Foi mal, velho... A menina só quer curtir.
Osvaldo também riu e os dois passaram a beber juntos.
Em determinado momento, a desinibida chega ao recinto e ambos a chamam à mesa. destemida, porque de fato devia nada a ninguém, vai ao encontro deles:
- Tá certo o que você fez? – Perguntou-lhe Daniel.
- Não tô entendendo – disse a moça.
- Como é que você ficou comigo estando com meu amigo?
- Como é que você ficou com meu amigo, estando comigo? – Foi a vez de Osvaldo.
A “tchutchuca” começou a se explicar, os dois puseram-se a sacaneá-la. Ela sacou a onda, mandou-os tomar naquele lugar e foi-se embora.
Quanto aos amigos fieis, ficaram a tomar cachaça e a se divertir até o fim do dia.
VIVA DANIEL!

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Curtas do Velório - I - Mães


Enzo, minha luz, embora todos estivéssemos tristes no dia do velório de Dida, não faltaram grandes amigos nossos a contar casos hilários do seu pai, o que tornou nossa dor mais suave e nos predispôs a encarar as dificuldades do momento com mais força.
Essa primeira foi contada por seu tio Ricardo. Divirta-se...


Para nós, mais chegados a esse cara, é novidade nenhuma dizer que ele sempre teve uma forma bastante sutil de esculhambar as mães dos amigos e de permitir que estes audazes cavalheiros  fizessem o mesmo com aquela que o pariu.

Sei que nosso velho Tito nunca teve estômago para esse tipo de brincadeira, mas mesmo assim, não segurava o riso quando Daniel vinha com todas as gentilezas destinadas a essas mulheres valentes que tiveram a coragem de abrigar um ser (ou vários) por nove meses no bucho.

Sem mais delongas, o fato foi o seguinte: estava Daniel passando pelo bairro do Batatan, na Terra Morena, no seu carro envenenado, vidro fumê, quando Ricardo Tupinambá, nosso “broder” Katatau, disse em alto e bom tom, para que Dan e toda a rua ouvissem, uma majestosa saudação:

- DANIEL, FILHO DA DESGRA... (Não pense que escreverei essa palavra leve como uma pluma até o fim).

O eco da sentença se espalhou pelos quatro cantos da rua e peço que você agora imagine a cena rolando em câmera lenta: Fundo musical no carro: um cd de Silvano Sales. Daniel olha pra Katatau e abre seu inconfundível sorriso de dentes tortos. Katatau todo vermelho e grande, e cheio de braços e pernas ri aquele riso amplo de doido e fica todo prosa. Daniel pára o carro. Ricardo está do outro lado da rua fazendo menção de atravessá-la para se aproximar do amigo. Daniel abaixa o vidro do banco de trás e com o polegar dobrado, aponta nossa genitora sentadinha no mesmo, lépida e fagueira.

Mami deu um sorrisinho e um aceno de Rainha da Inglaterra, deixando claro para Katatau que era uma pessoa inatingível. Daniel riu sacanamente da cara do amigo, que de vermelho, ficou amarelo e cujo sorriso, deu lugar a uma careta ridícula de “Sem-gracisse”. As pernas de Katatau viraram chumbo e ele não conseguiu mais se mexer, estancou no local, e o velho Dida deu a partida com o carro, partindo com Marinice, rindo do constrangimento do nosso “broder”.
VIVA DANIEL!

A História de Edu - Versão revista e ampliada da História de Guido



Enzo, meu irmão, a insanidade continua. Seu tio Edu disse que faltavam alguns detalhes na História que Guido contou a Mile e me enviou uma remasterização da mesma. Saca só...

Um dia, há algum tempo atrás, estávamos: Eu, Daniel, Léo e Guido “comendo água”  no Maria Fumaça numa noite de natal, depois de sairmos de nossas casas e suas respectivas reuniões natalinas. Estava tendo Nedson e Neander, dupla de Arrocha da época, e lá pelas tantas a cerveja acabou. E imagine de onde surge uma brilhante ideia para solucionar a falta do liquido precioso? Pois é, dele mesmo: Daniel.  

Ele falou:
 - Bora roubar a cerveja do freezer de Tio Del?
Isso porque eu, ainda “inocente”, tinha “largado” que o freezer estava cheio de “brêjas”. E como estávamos todos ainda querendo comemorar, topamos!

Chegamos de mansinho, abrimos o freezer e fizemos a limpa de algumas cervejas. A farra continuava, e tome cerveja. O primeiro lote de cervejas roubadas “ainda mais gostosas” havia acabado e lá voltamos para o segundo rapto.  Apenas eu ainda não bebia muito “cerveja” naquela época; já os outros, tomavam-na feito farinha de Nazaré. O freezer de Tio Del “Calelé” sofreu um baque.

Para encerrar o dia, ninguém mais nem menos que Dani, teve uma nova ideia: tomar banho de rio ou de mar para fechar a noite com “chave de ouro” e “pro dia nascer feliz”, como já dizia Cazuza. E mais uma vez, todos nós, seguidores do professor de farra e esbórnia Luiz Daniel, topamos e decidimos juntos, ir à Praia dos Garcês.

Dessa forma, a chave do carro de tio Zé e Daniel (na época, já o Palio branco novinho) foi entregue a mim, o único sóbrio, que na época tinha de 13 para 14 anos, eu acho.

Tudo pronto pra sair, todos travados, eu animado. Até que, antes de sair, a mente escrota de Daniel teve a penúltima grande ideia da farra. Pediu ele, um papel e uma caneta pra o caçula do grupo, e eu, fui atender o seu pedido pensando: “ Pra que desgraça esse cara quer um papel e uma caneta uma hora dessas, com a mente cheia de cachaça?”

Foi aí que depois de entregá-lo o material, assistí, junto à corja, a produção de um bilhete redigido por Daniel e destinado a tio Del, tia Nalde e o restante das visitas familiares:

(Dizia mais ou menos o seguinte...)

Tio Del, Tia Nalde, Família...

Deixamos esse bilhete para nos despedir de todos vocês
E aproveitar para pedir desculpas. Querendo assim que um dia nos perdoem.
Pois ontem, ficamos todos bêbados, caímos na asneira de entrar em jogatinas
Em uma casa de jogos, onde nós apostamos o carro de meu pai e essa casa!
E por infelicidade do destino, perdemos!

Tio Del, levamos Edu.
Mileide, levamos Léo, não vai ter mais noivado.

Um dia agente volta!

Um abraço.

Deixamos assim, o bilhete colado na geladeira, pegamos as cervejas, colocamos no carro e partimos. (Na volta encontramos a família no mínimo, assustada)

No meio do caminho, numa estrada de chão que demorava anos prá chegar nos Garcês, eu dirigia feliz da vida, mas, sob a atenção tonta e totalmente sem noção pelo álcool de Guido. Léo, que caindo pelas tabelas, recebia murros, tapas e gritos perversos de Daniel, digo, perversos! A cada vez que cochilava. E Daniel, que quando não batia, botava a cabeça pra fora da janela e gritava:

-Vá se fudeeerr, passarinhooo!!!
-Va se fuderrr, posteee!!!
-Vá se fuder todo mundo!!!
E até mesmo um pacato nativo com o seu burrinho que ia devagar pela estrada.

Quando chegamos, já era dia. A paisagem era divinamente linda, a maré era rasante. Guido pediu para invadir a praia com o carro pra que agente pudesse ouvir música tomando banho e comendo água. Acho que nós ouvíamos Exaltasamba com aquelas músicas em que Daniel se retorcia, fechava os olhinhos e mordia a língua no canto da boca pra cantar. Risos. E assim, eu obedeci.

Daí, Daniel que já estava trôpego em direção ao mar teve a última e mais escrota ideia, pelo menos pra mim. Ele obrigou todo mundo a ficar nu, pra tomar banho. Eu odiei a ideia porque sempre fui um jovem com cabeça de velho e principalmente porque tava com vergonha e MEDO de ficar “humilhado” com o tamanho do pinto. (É que eu era o caçulinha do grupo, sabe? Risos!!!) Mas, brabo do jeito que ele era, correu atrás de mim e me forçando a tirar, rasgou minha cueca novinha, especial pra noite de natal, Risos! Eles não me sacanearam.

Aí não teve mais jeito, entramos na água, que por sinal tava muito boa pra uma manhãnzinha, quando vimos de longe passar o mesmo nativo matuto do burrinho na pista, passar , olhar e fazer um sinal peculiar de reprovação social. Foi quando Daniel se levantou com aquela barriga grande e com o pinto murcho de frio e gritou:

Né viado não, meu senhor. É tudo primo!  ashaush

         
              As gargalhadas ecoaram naquele local onde o cheiro da água do mar se misturava ao da cerveja e o suor de primos que se amavam, que se amam e sempre se amarão.

Viva Daniel.

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Dois meninos lindos

Enzo, meu lindo, quando sua mãe me mandou essa foto sua, eu estava depressivo.

Parece que ela estava adivinhando, pois quando a vi, minha alma se encheu de festa e o que estava sombrio, virou luz.

O que estava feio ficou bonito.

Onde havia ódio, habitou o amor.

E aí abri um sorriso gostoso, saí da concha, peguei um rastelo e fui limpar o bosque que estava carecendo de uma boa sacudida.

Enquanto recolhia as folhas secas do solo, lembrei de uma foto antiga de seu pai. Ele vestido de Limãozinho, num desfile da escola pelas ruas de Nazaré. Fiquei doido, larguei o rastelo e fui procurá-la.

Não é que a encontrei. Saca só que lindo:

Você e Dida são carne da minha carne, sangue do meu sangue, alma de minha alma. Amo-os demais!

terça-feira, 5 de julho de 2011

A História de Guido


Enzo, meu lindo, essa história foi contada por seu tio Guido a sua tia Mile e ela, por sua vez, a enviou para mim. Viaje na onda. Te amo, bambino...
                Um dia, há algum tempo atrás estavam: Daniel, Léo, Edu e Guido “comendo água”  no Maria Fumaça... Lá pelas tantas a cerveja acabou e imagine de onde surge uma brilhante ideia para solucionar a falta do liquido preciso? Pois é, dele mesmo: Daniel.  Ele falou:
                - Bora roubar a cerveja do freezer de Tio Déu?
                Como estavam todos ainda querendo comemorar, sabe-se lá o que, toparam e foram eles dirigindo o famoso Chevetinho EP 1515 de Curió.
 Chegaram de mansinho, abriram o freezer e fizeram a limpa de umas 10 cervejas... A farra continuava e tome cerveja.
O primeiro lote de cervejas roubadas “ainda mais gostosas” havia acabado e lá voltaram eles para o segundo rapto.  Apenas Edu não bebia naquela época; os outros, tomavam  cerveja feito farinha de Nazaré. O freezer de Tio Déu “Calelé” sofreu um baque.
                Para encerrar o dia, ninguém mais nem menos que Dani criou uma nova ideia: tomar banho de rio para espantar o calor daquela Terrinha. A chave do carro foi entregue a Edu, o único sóbrio que na época tinha de 13 para 14 anos, eu acho.
                Quando chegaram no bendito rio, todos tiraram as roupas; Ficaram nus como nasceram... Um mundo de risadas se misturavam as brincadeiras e os olhares de pessoas que estavam ao redor começaram a surgir na direção daquele povo maluco, de repente sem que ninguém esperasse, Daniel se levanta, com tudo de fora e uma mata à vista, coloca a mão na cintura e diz em voz alta:
                -Né viado não, minha gente, é TUDO PRIMO.

                As gargalhadas ecoaram naquele local onde o cheiro de água do rio se misturava ao da cerveja...

VIVA DANIEL.

                Senti-me obrigada a registrar isso... Caso os integrantes dessa façanha se lembrem de mais detalhes ou tenha algo a corrigir, podem ficar à vontade.
            By: Mile
            

segunda-feira, 4 de julho de 2011

O Aparelho Ortodôntico


Enzo, figura, olhe o que o velho Dida aprontou... Sua tia Mile postou esse babado nos comentários... Você acha que eu iria deixá-lo lá? De jeito nenhum. Virou textão.

Acabei de lembrar quando Dani teve que usar aparelho Ortodôntico Móvel.  Dra. L. o fez e nem cobrou a meu pai, por serem colegas (dentistas).
Primeiro, era um processo Daniel usá-lo... Pense ai!?? 

Certo dia ele foi jogar bola, no campo da AABB e colocou o pobre aparelho móvel no bolso (furado por sinal)... Higiene perfeita e sumiço do aparelho garantido.

Daniel chegou em casa com medo da bronca de Marinice, mas feliz da vida por continuar com os dentes tortos.

Minha mãe e meu pai não tiveram cara de voltar à dentista.

TiTom... Recordar é viver!!!

Viva Daniel

sábado, 2 de julho de 2011

Celebrando a Vida

Enzo, meu anjo, hoje vivi momentos que me deixaram em estado de graça tão plena, que até agora me pego anestesiado diante de tanta alegria. A ideia veio da sua tia Elly, eu topei a parada e outros loucos também resolveram encarar. O que seria apenas um limitado encontro de primos tornou-se uma festa de verdadeiros irmãos e nos encontramos em minha casa para festejarmos o Amor e a Amizade... Um dia sua tia Ci me falou: "Daniel é meu grande amigo. Daniel é meu irmão".

A morte tem sido, ultimamente, uma das minhas grandes mestras. Em especial, a “Viagem” de Dida. Diante da vida sempre serei um eterno ignorante e é essa a minha sorte, pois sempre estarei aberto a aprender mais, mudar meus conceitos, ampliar horizontes e evoluir. Com a partida de Dan, aprendi ou ratifiquei algumas coisas:

1.       Quando vi o corpo do meu irmão sem vida naquele caixão, pensei: “Que onda! Ele correu tanto para ter coisas, para comprar coisas, para manter um padrão e agora essa matéria só está levando essas roupas e esses sapatos, que são apenas sobras, porque o cara nasceu nu!” Ratifiquei que quanto mais eu me desapegar dos bens matérias, dos “teres”, mais leve e menos estressante será minha existência - que não passa de uma ilusão transitória e frágil.

2.       Durante os dias que fiquei na angustiante espera pela cura ou pelo desencarne dele, a presença de todos os que estiveram conosco me fez pensar que o valor e o bem maior em minha vida são o carinho e o amor que recebi deles. Eu fui confortado, mimado, acolhido, consolado e isso me predispôs a me interessar muito mais pelo fato de tratar bem o ser humano, de cuidar do ser, de acolhê-lo e ampará-lo, de sair do meu umbigo porque coração foi feito para amar. A passagem de meu irmão está me ensinando a resignificar minha vida.

3.       Aprendi que preciso estar mais perto de quem amo, pois não sei o dia que essa pessoa vai partir e não quero me encontrar com quem quero bem só para curtir enfermidades e sepultamentos. Quero o sabor da rotina, quero o gosto de festa, quero ver nascerem novas gerações, quero ver as crianças crescendo e acompanhar tudo isso. Minha vida é cheia de compromissos, mas sempre caberá mais um quando o assunto for Amor.

4.       Todas as manifestações de carinho dos amigos, dos parentes, dos Irmãos Maçons e até dos adversários no momento do translado do corpo para o cemitério nada mais foi que a colheita de 29 anos bem vividos, bem partilhados e tenho certeza que isso encheu meu mano de alegria.

5.       Por fim, Enzo, viva intensamente. Ame, lute, cometa seus próprios erros, comemore seus acertos, apaixone-se, supere-se. Seja inteiro e intenso em tudo o que fizer, respeite a si mesmo e ao próximo – e desrespeite também se necessário – pois aí quando chegar a sua hora de dar o zig você terá uma linda colheita e se orgulhará de tudo o que terá feito quando olhar para trás.

6.       Hoje estamos escrevendo uma nova história. Hoje estou aqui reencontrando toda essa gente bonita que amo. Hoje estou aqui estreitando laços. Hoje estou aqui conhecendo pessoas que amarei. Estamos celebrando a vida, estamos em nome de Dida, em nome de nós, num só coração, num só sentimento e espero que fiquemos mais próximos, pois não há dor maior do que saber que poderíamos ter estado antes e não o fizemos. Espero que não sejam necessárias mais perdas para que saibamos valorizar o que há de mais precioso por aqui: O Amor e a Amizade que nos une agora e para sempre. VIVA DANIEL!