quinta-feira, 16 de junho de 2011

Texto de Mile

Enzo, meu tudo, o que mais me impressiona em sua tia Mile é a intensidade que ela carrega na alma.

Jamile é intensa em tudo: no sentir, no pensar,no fazer, no ser, no errar e principalmente, no corrigir-se e acertar.

Ela também te ama muito...

Veja o que ela me mandou logo quando começamos a dar vida ao blog:




Coloquei no Blog como comentário.


Se não encontrar me avise que mando em arquivo. 

O blog e o projeto do livro têm me ajudado muito irmão, nem imagina o quanto.
Obrigada por fazer parte da minha vida e estar me ajudando a superar a falta que sinto do nosso caçula, conhecendo um pouco mais e eternizando tudo o que ele viveu.



A gente deveria ter uma segunda chance para tudo na vida... Eu queria a oportunidade de ter tido essa segunda chance com nosso irmão. Ia fazer muita coisa que não tivemos a oportunidade de viver juntos. Não quero ter essa mesma sensação com você meu brother. Quero ficar mais ao seu lado e viver muito para poder contar histórias juntos.


Te amo

Mile







A conversa entre "Tinessa" e "Timile"


Meu príncipe, em cada história, entramos em contato com mais nuances do caráter e personalidade fantásticos do seu pai. 

Seja na família, com os amigos, no trabalho, a marca da excelência de Dida se faz 
presente, seu altruísmo é evidente e seu empreendedorismo arrojado é fato.

 Dê uma olhada nessa conversa que tia Vanessa teve com tia Mile no MSN, depois que ela postou a história dos R$ 50,00:
  
JAMILE: Oi ,Vanessa!

VANESSA: A minha equipe, que só Dan apostou, ganhou a campanha.\o/ Ele é fod... mesmo!

JAMILE: Nossa, meus parabéns!

VANESSA: Me deu esse presentão! Confiou em mim! Ganhamos notebooks e bônus em dinheiro. Estou super emocionada!

JAMILE: Vocês merecem... Ele continua com vocês... Do jeito que ele amava o que fazia... Tenha certeza disso.

VANESSA: Sim, sem duvidas. Beijos e Deus abençoe.

JAMILE: Eu me emocionei...

VANESSA: Estou aqui para o que precisar, eu também estou super emocionada. Fabrício, outro supervisor, ficou em primeiro e eu, em segundo.

01/06/2011

Ritual de Aceitação ou Higlander Nazareno

Enzo, meu guri, a sequencia de aventuras e loucuras do seu pai e "gang" ganha corpo e vai fazendo história. Temos aqui mais um texto da sua alucinada Tia Elly, irmã que eu amo profundamente, e ama profundamente seu pai - Somos todos muito profundos....


"Lembro com muito gosto", como diz Caetano Veloso, de sua tia Zéu, mãinha de Elly - e minha também - uma mulher fantástica, de humor refinadíssimo e que sempre saía com um comentário - que eu considero o cúmulo da ironia - quando ouvia ou via algo muito imbecil ou óbvio demais. Ela dizia
séria: Mas isso é de uma profundidade... Eu, Dan, Elly,Jorginho e "gang" - Somos todos uma grande gang! - rolávamos de rir... Bom, chega de delongas - mania besta de dublê de escritor ficar nesse joguinho espirituoso com as palavras - e vamos à história, que por sinal, é divertidíssima!



Era final de ano. Parece que todas as histórias com Dani remetem a tempos natalinos, mãinha e eu passávamos por algumas dificuldades financeiras, mas como toda casa de interior, pintar as paredes no final do ano parece lei.

Estávamos assistindo TV, era noite de sexta-feira e de repente bate a porta:
- Tia Zéu, joga a chave – Era Daniel.
- Menino, você chegou foi cedo – Disse Mãinha.
Morávamos no primeiro andar de um sobrado no bairro do Jacaré, em Nazaré das Farinhas. Para facilitar nossa vida e não precisarmos descer o tempo todo, amarrei um pedaço de elástico na ponta da chave, onde, de lá de cima, jogávamos a chave sem machucar ninguém, nem errar a mira, mas com Daniel nada era mesmo normal. Ele fazia questão de puxar a chave, esticar o elástico e soltar, o que fazia a chave da porta voltar com uma violenta velocidade e bater no teto da varanda, mãinha sempre ficava muito retada, mas dava pra ouvir a gargalhada de Dani no final da rua, então sabia que meu final de semana estava começando com direito a todas as festas que aguentasse ir, e as que não aguentava também, pois ele não nos deixava ficar em casa.
Dani subia as escadas com seu riso maroto e quatro ou cinco garrafas de cerveja na mão e às vezes a mochila da viagem, já exclamando.
- Tia Zéu tem feijão!?!?
- Que gracinha, você já foi em casa ver sua mãe?
- Já sim, dei um beijo nela e peguei o carro de painho.
- Já que é assim, então vamos para cozinha.
Ele sempre se dirigia à geladeira, para guardar as cervejas e aí via, ao lado, no fogão, a panela de feijão. Então com um tomate na mão, pedia para mãinha:
- Tia Zéu, um tomatinho.
Mãinha já sabia que ele queria salada e não se fazia de rogada para encher sua pança.
Então sentávamos na mesa da cozinha e ali, fumávamos, bebíamos e mudávamos o destino político de Nazaré várias vezes até altas horas da madrugada.
 Neste dia em especial, mãinha contou a Dani da dificuldade que passávamos e o quanto queria pintar a casa, ele se levantou olhou novamente a panela de feijão, pegou sua pastinha preta e a mochilinha, e disse:
- Tia Zéu, amanhã resolvo esse problema, vamos pintar a casa de qualquer maneira.
Mãinha, cheia de esperança, mal sabia o que a esperava.
Nos dia seguinte, era sábado, muito cedo já ouvia a gargalhada de Dani na cozinha, então levantei e ele, com sua presença de espírito disse:
- Acorda prá cuspir, vai logo se arrumar que temos que buscar a equipe, para pintar a casa.
- Dani, você é maluco, contratou alguém? Sabe que não temos dinheiro para pagar.
- Relaxe, tudo vai dar certo. VAI LOGO SE ARRUMAR!!!!!!!!!!
Então saímos e começamos a pegar o pessoal do baba, primeiro passamos na casa de Gordo, depois passamos para pegar João Paulo, seguimos para casa de Léo e Inho. Quando enchemos o carro, vejo a conversa dos meninos.
- Sim, Dida vamos jogar bola? – Perguntou Gordo.
- Não, vamos fazer um exercício melhor – respondeu Daniel gargalhando.
- Dani, você não disse aos meninos o que vamos fazer? - Perguntei já assustada.
- Relaxe Elly, quando chegarmos em sua casa eles vão ver.
Dani passou na loja de tintas e pegou o restante de material na conta de tio Zé, para começarmos a pintura.
 Quando chegamos em casa, ele inventou que era um ritual de aceitação: para fazer parte da galera todos tínhamos que fazer uma boa ação, que neste caso era pintar minha casa.
Todos entraram e Dani, às gargalhadas, começou a distribuir lixas para lixar as paredes antes de começarmos a pintura. No início achamos que não daria certo, então ele, com seu poder de convencimento, colocou todo mundo para trabalhar e em questão de horas a casa parecia uma festa. Fabiano, irmão de Gordo, a quem chamávamos carinhosamente de Nanato, estava chegando também e logo foi convocado para participar da empreitada, Daniel não deu tempo nem do menino respirar e foi buscá-lo na rodoviária sem que Nanato tivesse tempo para manobra.
Casa de interior, a parede termina antes do telhado deixando uma falha entre o telhado e a parede. Para pintar melhor, Gordo inventou de ficar em pé nesta falha e pintar a parede por cima, Daniel logo começou a gritar:
- Tia Zéu, um macaco, um macaco
- Menino! Desça daí, Gordo, para você não se machucar! - Exclamou mãinha temerosa.
- Elly, vamos tentar acertar o macaco? - Gargalhando, Daniel se dirigiu até a parede onde estava Gordo.
Então da cozinha só ouvimos os gritos desesperados.
- Não Daniel, Porra, vou cair, não Daniel!!!!!!! NÃO!!!!!!  (Pôu, Puf.)
Uma porrada seca escutamos da cozinha e logo corremos para ver o que havia acontecido. A cena era a seguinte: Daniel em pé quase tendo um troço de tanto rir, Gordo estatalado no chão parecendo morto, mas rindo também. Mãinha e eu desesperadas corremos para ajudar, aí Gordo levantou do chão, falando:
- Eu sou Highlander!
E todos caímos na risada.

Resumo da ópera: a casa ficou pintada e linda para o Natal, graças ao super Dida.

Dani, onde você estiver, meu irmão, só tenho a te agradecer por ter-nos escolhido como sua família, ainda dói muito, mas relembrar essas histórias e suas gargalhadas nos dá um alento e a certeza de nosso reencontro traz de volta a esperança.

VIVA DANIEL!!!!!!!




quarta-feira, 15 de junho de 2011

O e-mail que Dida mandou para Bruno

Enzo, meu brother, se tem uma coisa que seu pai valoriza demais são os amigos. Nessa foto estão alguns deles (da esquerda para a direita): Tinho Neto, Nanato, Marcele, Leleu e no centro, ao lado de Dida, o velho Bruno, grande parceiro.


Quando Dan estava se preparando para dar o zig, Brunão se abraçou comigo choroso e falou:


- Parece que o sacana já sabia que ia embora! Ele me mandou um e-mail, o último, que parecia estar me preparando para esse momento.
- Ô nego - falei - encaminhe esse e-mail pra mim.
- Tá certo.Vou fazer isso - ele se comprometeu.


Passei meu e-mail pro cara e ele cumpriu o prometido. A ideia do blog nem tinha surgido ainda...
Quando sua tia me despertou para compormos esse Projeto de Amor, veio imediatamente na minha cabeça: Vou incluir o e-mail que Dida mandou pra Bruno...


Foi o que eu fiz...


Isso pode ser uma mera estória, mas toca no fundo...

Velho, você não é só meu amigo, é meu irmão! – (Palavras de Dida para Bruno em 26/02/2011).

"Houve uma vez dois amigos Eles eram inseparáveis, eram uma só alma. Por alguma razão seus caminhos tomaram dois rumos distintos e se separaram.
E ISTO INICIOU ASSIM: 
Eu nunca voltei a saber do meu amigo até o dia de ontem, depois de 10 anos, que caminhando pela rua me encontrei com a mãe dele. A cumprimentei e perguntei por meu amigo. Nesse momento seus olhos se encheram de lágrimas e  me olhou nos olhos dizendo: morreu ontem... Não soube o que dizer, ela seguia me olhando e perguntei como ele tinha morrido.
Ela me convidou a ir a sua casa, ao chegar ali me chamou para sentar na velha sala onde passei grande parte de minha vida, sempre brincávamos ali meu amigo e eu. Me sentei e ela começou a contar-me a triste história. Faz 2 anos  diagnosticaram uma rara enfermidade, e sua cura dependia de receber todo mês uma transfusão de sangue durante 3 meses, mas....Recorda que seu sangue era muito raro?, Sim, eu sei, igual ao meu...Estivemos buscando doadores e por fim encontramos a um senhor mendigo. 
Teu amigo, como deves te lembrar, era muito cabeça dura, não quis receber o sangue do mendigo. Ele dizia que da única pessoa que receberia sangue seria de ti, mas não quis que te procurássemos, ele dizia todas as noites: não o procurem, tenho certeza que amanhã ele virá... Assim passaram os meses, e todas as noites se sentava nessa mesma cadeira onde estás tu sentado e orava para que te lembrastes dele  e viesse na manhã seguinte. Assim acabou sua vida e na última noite de sua vida, estava muito mal, e sorrindo me disse: mãe, eu sei que logo meu amigo virá, pergunta pra ele porque demorou tanto e entrega a ele esse bilhete que está na minha gaveta.
A senhora se levantou, regressou e me entregou o bilhete que dizia:
Meu amigo, sabia que viria, tardaste um pouco mas não importa, o importante é que vieste. Agora estou te esperando em outro lugar espero que demores a chegar aqui, mas enquanto isso quero dizer que no céu tem um amigo cuidando de ti meu querido melhor amigo. Ah, por certo, te recordas porquê nós nos distanciamos? Sim, foi porque não quis te emprestar minha bola nova, rsrs, que tempos... eramos insuportáveis, bom pois quero dizer que te dou ela de presente e espero que goste muito. Amo você: teu amigo para sempre
'Não deixes que teu orgulho possa mais que teu coração... 
A amizade é como o mar, se vê o princípio mas não o final'

terça-feira, 14 de junho de 2011

Mensagem de Cleber

Enzo, meu menino, a mensagem a seguir é desse brother, seu tio Cleber, um dos amigos que mais amo e que é também grande fã do seu pai.

Se integridade tivesse um nome, seria o dele. Cleber, sua companheira Paixão e seus filhos, Yan, Késia e Álika, são grandes parceiros da nossa família desde sempre e eu achei muito singelo o que ele escreveu sobre Dida.

Valeu, "Binho", SEMPRE.
Também sou teu FÃ.


É por aí, Toni.

Tenho duas imagens do Daniel fixas em minha memória: uma de calção maior que o dono, arrastando pelo meio das canelas, calçando um pé de tornozeleira, com as pernas todas enlameadas; a outra, já carregando o filho nos braços, todo engravatado. Esta última, durante uma travessia do ferry-boat.

 Em ambas mantinha a mesma cara "safada" daquele molequinho criado solto no Pasto da Serra, lambanceiro que ele só. Daí que preferí mantê-las, sem qualquer desejo de ter a sua imagem recente do dia de sua partida. E vamos cultuá-lo dessa forma, e com toda a irreverência que o mundo lhe ensinou e que só aqueles que conviveram puderam usufruir.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Triste Fim do Tamagotchi - Game over!

Enzo, meu velho, esse é seu tio Gordo, um dos maiores parceiros do seu pai na realização de delitos e boas ações que deixaram respectivamente o Diabo e Deus à beira de vários colapsos nervosos.
Por quê?
Na verdade, analisando a personalidade mitológica de Gordo e Dida, concluo que até nos atos mais escusos, eles sempre tiveram as melhores intenções.
Mas como também delas o Inferno está cheio... É melhor não filosofar mais. Caso contrário, me perco.


Difícil não é escrever sobre Dani. Isso é fácil, muito fácil e até divertido. Complicado mesmo é selecionar as histórias a serem relatadas. Escreveria facilmente uma coleção de livros com histórias do seu pai, as quais, felizmente, tive o prazer de participar. Horas como vilão outrora como mocinho. É bem verdade que na grande maioria das vezes eu me fodia com ele.

Decidi começar contando uma história que me marcou bastante, não pela história em si, mas pelo trauma causado na pobrezinha da Joseane (Jose), uma amiga nossa que não fazia mal a ninguém. Pobre da Jose, se fodeu com Dida!

No final dos anos 90, entre os anos de 1996 e 1997, Jose e eu cursávamos a 8ª série e Dida 1º ou 2º ano na tão querida EPAA – Escola Professora Aildes Almeida. - Eis que surge no Brasil a febre dos bichinhos virtuais e obviamente Nazaré não estaria fora desta onda. Os tão sonhados Tamagotchis, também conhecidos, carinhosamente, como Tama.

 A brincadeira consiste em cuidar de um animalzinho virtual como se o mesmo tivesse vida, dando-lhe carinho, comida, remédio e banho. Tudo isso virtualmente! Patético!

Não é que a Jose apareceu na escola com um troço desses na mão! O dela era amarelinho, bonitinho e bem cuidado. Era o seu primeiro dia com o trocinho e aparentemente estava nas nuvens de tanta felicidade. Logo no início do dia ajudei a colocar o bichinho pra nascer: ligamos o bichinho, ajustamos o relógio, escolhemos as características, ela escolheu o nome e finalmente a criatura surgiu e juntamente, um sorriso de orelha a orelha da pobrezinha da Jose. As primeiras aulas foram acontecendo e o papel de super-mãe foi encarnada com vontade pela nossa amiguinha. Eram comidinhas e o bichinho crescendo, remediozinhos e o bichinho com saúde, banhozinhos e o bichinho limpo. Tudo indo de vento em polpa. Sem conter a ansiedade a pobrezinha da Jose já fazia previsões de quando o trocinho chegaria ao seu estágio adulto, não entendia o porquê.

Até aí tudo estava tranquilo, mas nosso querido e eterno Dida ficou sabendo desse amor incontrolável que surgia na EPAA. Não tenho certeza de quem o fez saber da história, acredito que tenha sido eu. Ele me chamou no banheiro e disse:

- Vamos bolar um plano?
- Plano de quê? – Perguntei.
Já com um sorriso desenhado no rosto e com as mãos nos meus ombros ele me perguntou:
- Vamos matar o trocinho da Jose?
- Você está louco!? A menina acabou de ganhar o animalzinho e está super empolgada.
- É exatamente por isso. Bichinhos virtuais me irritam – ele me respondeu.

Neste momento ele não conseguiu conter a gargalhada tão conhecida. Eu, certamente, não estava levando a brincadeirinha a sério e não concordei, afinal Jose não fazia mal a ninguém. Voltamos às nossas salas e aguardamos a hora do intervalo.

Finalmente são 10 horas. Sirene dispara, manada de alunos saem que nem loucos das suas respectivas salas, rápida formação de fila na cantina para comer o saboroso misto da Vany e lá vem Jose com seu bichinho virtual, passa tão tranquila pela cantina e vai em direção à rua. Dida, com um olhar questionador me enxerga e logo percebo que ele queria saber qual o destino dela. Me fiz de louco! Achei que aquele plano era brincadeira, mas pelo visto ele estava levando a sério.

Fui ao encontro dele, e ele por sua vez ao dela. Éramos, naquele momento, três pontos distintos destinados a um triste encontro. Triste para ela, coitada! Para nós, historinha de mesa de bar, bastavam apenas duas cervejas em qualquer mesa de bar e logo surgia a pergunta:

- Filho da Puta, você lembra o que fiz com o bichinho virtual da Jose?

Lembro sim, e como lembro! Não só lembro como farei com que muitas pessoas saibam o que você fez, inclusive o seu filhão. Enzo, meu lindo, seu pai pediu emprestado o tão valioso presente da Jose e ela, infelizmente, atendeu o seu pedido, emprestou. Achando pouco, ela pediu que ele cuidasse do bichinho enquanto iria comprar um picolé na sorveteria de esquina. Neste momento estávamos ao lado do Colégio Alexandre Bittencourt. Assim que a pobrezinha se fez ausente, ele me olhou com aquela cara de sacana, exibiu seus dentes desalinhados e não conseguiu controlar uma gargalhada que soava como um: Ela se fodeu comigo!

Após controlar sua gargalhada ele me perguntou:

- Como eu mato esse treco?
- Não tem como, Jose alimentou e medicou o bicho – respondi.
Sorrindo ele me disse:
- Você que pensa. Eu detesto esse bichinho.

Num ato de descontrole total, Dani arremessa o bichinho com muita força contra a parede do Colégio Alexandre Bittencourt. Estávamos distantes uns 5 ou 6 metros da parede e a força do arremesso foi tanta que fez com que o animalzinho voltasse aos nossos pés. Ele ria de uma forma tão gostosa, aquela que só ele sabia, que até eu passei a achar aquilo engraçado, minha barriga doía de tanto rir, sentei no chão pra ficar mais a vontade e ri com mais intensidade. Ele não conseguia se controlar, nem mesmo pegar o bichinho de volta. Risada do Zacarias em ação, olhos fechados e lacrimejando, dizia: Desgraça, Desgraça! Era como ele costumava comemorar as coisas!
Confesso que estava acostumado com as atitudes de Daniel, mas essa me surpreendeu de verdade!

Neste instante a minha preocupação era o retorno da Joseane e saber do estado do bichinho, a preocupação dele era verificar se, de fato, chegou o fim do animalzinho. Triste notícia: com o visor rachado, o Tamagotchi já não estava entre nós. Uma música fúnebre saía da caixa de som do pequeno objeto. No visor rachado, a entidade havia criado asinhas que voavam em direção ao céu e duas cruzes ocupavam o lugar dos olhos. Parafraseando Ti Tom, o bichinho deu o Zig. Pra piorar a situação, eis que surge Jose e logo toma conhecimento da tragédia - Puta que pariu, Fudeu! – e ele com a cara de sacana diz:

- Acho que você esqueceu de alimentar seu bichinho.

Em choque, o rosto dela empalideceu. Era possível perceber o pavor nos seus olhos. “Ele morreu?!”, perguntou-me, com a voz embargada. Eu não tive tempo de responder, ela percebeu a gravidade das coisas quando viu o visor partido, as lágrimas rolaram gordas pelas suas bochechas, e ele, mais uma vez, não conseguia controlar sua risada. Surpreendentemente, pegou o bichinho novamente e arremessou mais uma vez, com a mesma força e a mesma alegria de sempre. Ela estava desnorteada e ele se divertindo. Lembro claramente dela desesperada gritando: Não Daniel! Não Daniel! Meu bichinho! Meu bichinho!

Pra finalizar esse drama ele resolveu não mais lançar o bicho na parede e sim no telhado do colégio. Como um profissional em arremesso de peso, se preparou, se esquivou da enlouquecida pobrezinha que não faz mal a ninguém e pimba... La se foi o animalzinho amarelo bem alimentado, cheio de saúde e limpinho... Game over!

Pois bem, meu querido Enzo... Apesar de parecer malvado com essa história seu pai foi um amigo do caralho, um homem de coração sem igual, sinônimo de diversão e alegria.  Agradeço muito a Deus por ter tido a honra e o prazer de conviver ao seu lado, de ouvir aquela risada única e gostosa por muitas vezes, de ter formado dupla com ele no famoso Pau a Pau na AABB, de ter jogado a versão violenta de tênis, bem lembrada pelo seu tio Jorginho, de ter participado dos campeonatos de Jogos de verão, futevôlei e futebol de botão.

Dani, você é para sempre!

Ah! No dia seguinte ele presenteou Jose com um novo Tamagotchi amarelinho, bonitinho e bem cuidado. 

domingo, 12 de junho de 2011

De vez em quando: PAI

 Meu querido Enzo, embora você seja o único filho biológico de Dida, ele muitas vezes se comportou como se fosse meu pai e tenho certeza que fez isso com muita gente... Especialmente com Edu, nosso primo querido, nosso poeta, músico, compositor e cantor, nosso artista, o melhor de todos nós.
O texto a seguir é desse cara:


Estava eu, "aborrecente" em meus 14 anos de idade, dormindo  em uma das camas da casa de meu tio Zé (no quarto e muito provavelmente na cama de Daniel), depois de uma festa de aniversário que tinha ido até bem tarde. 


Quando acordei, lá prás duas da manhã, ouví aquele silêncio peculiar de fim de festa com algumas vozes remanescentes já cansadas de festejar, e bocas que já viraram portas abertas para as palavras e os pensamentos que só saiam com a ajuda de álcool.

E como todo e qualquer ser humano, mesmo que sonolento, passei a ouvir a conversa, Claro! (Ouvir conversa sempre é bom, de adulto quando se é uma criança, melhor ainda. Risos!).

Nas vozes, reconhecia meu pai, minha mãe e Daniel. Esses três sempre foram muito cúmplices. Demoravam bons períodos sem se ver, mas quando juntos, passavam horas e horas trocando confidencias, tentando entender e dar rumo à nossa família. Até que houve um momento em que eles começaram a falar sobre mim. Eu tinha acabado de perder o ano letivo (1° ano do ensino médio) Meus pais estavam muito chateados, principalmente meu pai, que ainda não havia aceitado a idéia.

Conversa vai e conversa vem, eles falavam tudo em que eu estava errando. Em tudo eles estavam em consenso, até que minha mãe falou sobre meus planos de vender a minha moto pra poder ir estudar em Santo Antonio de Jesus (eu estava revoltado com o colégio e jogava nele a culpa de minha displicência anual). Daniel continuava ouvindo. 

Depois, de minha mãe informar e achar que eu não deveria fazer isso. Meu pai, além de sentir o orgulho ferido por um filho ter perdido o ano no colégio, passou a mesmo que sem querer, me menosprezar, ao ponto de abrir a boca e dizer:

-Mas me diga Daniel, que absurdo, ele não conseguiu passar aqui em Nazaré, como é que ele vai passar La em santo Antonio de Jesus? Ele não vai conseguir!

Eu, depois de longos momentos sem ouvir a voz de meu primo, que consentia com todas as coisas, (que hoje até eu venho a concordar) vivaz e instantaneamente se fez ouvir:
-Meu tio Del, não fale isso. Edu é um menino muito inteligente. Por isso mesmo ele quer ir e provar isso a todos nós. Eu tenho certeza que ele é capaz. Ele consegue!

Foi quando meu pai se calou e meio envergonhado percebeu que Daniel, mesmo sem a menor pretensão, acabara de roubar o seu papel de pai, por alguns minutos.
Jamais esqueço das vezes que esse Mosaico, esse coringa de pessoa, fez o papel de pai pra mim. Por isso, tentando definir Luiz Daniel, produzo frases como:
Um primo. Sangue de meu sangue, Amigo escroto, animado, porra loca e desbocado. Irmão sem aquelas brigas e repulsas de irmãos de sangue. E além de tudo isso...

Pai! Meu pai eventual.
Que Deus lhe abençoe, Didael!!!!!!
Te amo até o infinito e jamais me lembrarei de te esquecer.


Luis Eduardo Carvalho de Jesus.