domingo, 12 de junho de 2011

Babão e outras delicadezas...

Enzo, meu nego, seus tios Pablo e Juliana, são grandes amigos de seu pai e também te amam muito. São pessoas que eu também amo desesperadamente e multiplico esse amor pela Princesa Cecília, herdeira de ambos. O primeiro texto é do seu tio Pablo e segue uma linha cômico-dramática (adorei essa palavra) que toca profundamente. O segundo, é da sua tia Juliana e... Prefiro não comentar (risos)... Vamos aos textos:




BABÃO



Eu chamava ele de Babão.

Desde quase sempre.

Uma vez eu fui em sua casa tomar aula de violão e de canto com o irmão dele, meu shidoshi e um dos poucos irmãos que eu escolhi ter na vida.

Quando entrei, ele estava embaixo do carro do pai, um chevete, se eu não me engano. Ele me viu e começou a soltar uma baba pelo meio dos dentes separados. Eu, vendo um gordinho com cara de moleque, com os dentes separados cuspindo nele mesmo só pra sacanear alguém, não resisti: Adotei ele pra mim.

- O que é que vc quer babão?
E ele, quase automaticamente, começou a fazer mais baba e repetir babão, babão. Foi uma das coisas mais engraçadas que eu me lembro.

Daí a gente começou a se chamar de Babão.

Há uns 20 dias ele pegou uma bactéria e ficou em estado muito grave. Rezamos e ele venceu o pior quadro, foi melhorando e a gente tava super confiante no seu restabelecimento. Na quinta, porém, ele teve um aneurisma fulminante. Fato novo, que nada teve a ver com a tal bactéria.
Foi como se Deus dissesse.
-Peraí, vocês não tão entendendo não? É a hora dele respeitem isso!

Mas nós não respeitamos e intensificamos as orações até quando não deu mais. Eu fui pro hospital e cheguei a ir na UTI ver ele de perto. Precisava ter um choque pra ver se a ficha caía.

Não adiantou.
Pensei que a visão dele lá, parado, fosse suficiente. Mas bastou um toque na pele dele pra algumas imagens provarem ser mais fortes.

Lembrei de quando Cecília nasceu e ele foi visitar a gente com aquele sorriso do tamanho do mundo, os dentes falhados e a voz de criança.
- Babão! Gritou ele ainda do carro.

Lembrei de quando ele foi conhecer meu bar e de longe me chamou de Babão.

Lembrei que sempre foi assim. Sempre ele teve o mesmo sorriso e o mesmo dente falhado. Sempre teve a mesma voz e o mesmo coração de criança. Ele sempre foi Babão e sempre vai ser.

Não importa mais o que vai acontecer daqui pra frente, cara. Toda vez que eu estiver com seu filho vou falar do cara de fuder que você foi. Vamos contar histórias e rir sem tristeza. Porque eu vou dizer pra ele que você não era triste.

A gente vai sentir sua falta pra caralho e eu nunca pensei que um dia diria isso pra você, mas se chegou sua hora Babão...

Vá em paz.


Agora vem a história de sua tia, coisa rica, coisa fina...

Semana Santa de 2010. Eu estava grávida de 5 meses e encontro Daniel no Ponto Dez:
- Você vai ver como é massa ter um filho. E ai Jubão? É homem ou mulher essa porra dessa barriga??
- É menina Dan! É Cecilia! 
- Menina??? É mesmo?
- Legal né?
- Ô Enzo! Vem aqui! Venha conhecer a menina que você vai passar a p...!

Muito delicado era esse Daniel!!!






2 comentários:

  1. A cada palavra que li dos relatos acima, senti a presença de Dida como se estivesse sorrindo, jogando a cabeça para trás e segurando a barriga.
    Foi um momento forte. Ele esta cada vez mais presente em nossas vidas. Apenas a materia que ele utilizava não esta mais com a gente. A essencia dele continua e permanece ainda mais forte. Viva o "Anjo da Luz".
    Obrigado Pablo e Jujuba. Um abraço carinhoso, Jamile.

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  2. Ju, lembro desse encontro no ponto 10, eu tbm estava lá e vi Dida (e Taís) babando com Enzo no colo. Ele perguntou por Bento e qdo eu contei uma das artes do meu pequeno, ele falou: Vai ser poeta!
    Acho que foi a última vez que o vi.

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